Michelle Sacks | Você Nasceu Para Isso

Ei! Tudo bem? 

Recentemente vim aqui para conversar com vocês sobre um projeto que saiu do papel depois de muito tempo, o Clube Métrica. Um clube totalmente voltado a literatura, temos diversas conversas por lá e uma vez por mês escolhemos um livro para um grande debate. Quer saber mais? Confira essa postagem!

Porém, não estou aqui para falar do clube, mas sim da autora do livro escolhido para nosso debate do mês de agosto (que acontecerá dia 29). Michelle Sacks é a escritora de "Você Nasceu para Isso", livro já resenhado aqui no blog. É uma história dura, real e obrigatória, eu fiquei sem palavras com essa trama genialmente desenvolvida. 

Sinopse: Sam Hurley, professor, e sua esposa Merry, cenógrafa, trocam os confortos de Nova York por um estilo de vida completamente diferente em uma casinha isolada na Suécia. Apesar do quadro idílico que o casal com um bebê recém-nascido em paisagens de contos de fada representa, problemas com raízes muito profundas ameaçam o relacionamento. Sam, que nunca contou à esposa que na verdade foi demitido da universidade, também mente sobre seu dia a dia na nova cidade. Merry, por sua vez, sempre escuta do marido que nasceu para ser dona de casa, mas não sabe o que fazer com o ódio que alimenta por todas as tarefas cotidianas: a jardinagem sem-fim, a arrumação da casa, o preparo de refeições para a família e os cuidados com um bebê que por ora só parece dar trabalho. O instável equilíbrio da família se perde por completo com a visita da melhor amiga de Merry, a glamourosa Frank. Ela conhece Merry muito bem, conhece sua história, e agora, com a proximidade, é capaz de ver quem Sam realmente é. Mas Frank tem os próprios segredos, e, à medida que sua narrativa se junta à história do casal, fica claro que ela sofre pelos próprios pecados e talvez não seja capaz – ou não queira – salvar ninguém.

Michelle Sacks nasceu na África do Sul, porém atualmente mora em Berlim. É mestre em Literatura e Cinema pela Universidade da Cidade do Cabo. Ela chegou a ser indicada ao prêmio da Commonwealth em 2014 e duas vezes ao South African PEN Literary Award. 

Sua primeira publicação foi “Stone Baby”, um livro de doze contos lançado em Dezembro de 2017, que ainda não foi publicado no Brasil. Em 2018, a autora publicou “Você Nasceu para Isso”, sendo seu titulo original “You Were Made for This”, o livro foi publicado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca. Em 2019, Michelle Sacks publicou “All the Lost Things”.

Exatamente por causa do clube, tive a oportunidade de conversar com a autora sobre o livro de agosto e falamos um pouco sobre a situação que estamos vivendo. Os assinantes do Métrica terão oportunidade de conferir esse bate papo e ainda terão acesso a materiais exclusivos. 

Por não conseguir resistir, separei duas perguntas para que o pessoal do Cores também pudesse conferir o que autora falou, mas o resto só indo no Clube Métrica e eu estou esperando todos vocês lá!


1. O tema do amor perpassa o livro inteiro. Tanto o amor maternal, o amor romântico e amor entre amigas. Entretanto, os relacionamentos dos personagens são tóxicos e turbulentos e isso faz o leitor questionar a veracidade desse amor. A questão mais delicada é o relacionamento de Merry com seu bebê. Como foi dar voz a algo que é extremamente sensível, porém importante?

Enquanto eu escrevia o livro, fui confrontada repetidamente com uma série de tabus que existem na sociedade - verdades desconfortáveis que simplesmente não queremos pensar, muito menos falar sobre. Eu queria ser capaz de abrir a conversa sobre maternidade: o fato de algumas mulheres simplesmente não quererem ser mães é menos controverso hoje em dia, mas a ideia de que as mulheres se arrependem de seus filhos, ou não conseguem amá-los, ou desejar que eles se vão, é outra coisa. Mas como isso pode não ser o caso? Como podemos imaginar que todas as mães do mundo estão dançando de alegria? Eu descobri um fórum para mães e comecei a me aprofundar no assunto – percebendo que na maioria dos casos, essas mulheres se sentiram presas por forças fora de seu controle. Elas nunca conseguiram decidir por si mesmas o que realmente queriam - elas simplesmente se ajeitaram em uma vida que parecia com as vidas ao seu redor. 

Como uma sociedade, gostamos tanto de conformidade que raramente somos encorajados a ter discussões profundas e difíceis com nós mesmos. Perguntando, o que eu quero? Isso é certo para mim? Ainda é a vida que eu quero? E se houvesse outra maneira de fazer isso? Estes podem ser perguntas tão assustadoras que preferimos não perguntar, mas me senti compelido a aprofundar para isso, não importa o quão desconfortável fosse.

2. Sam, durante o livro, se mostra controlador e possessivo. Por estarem excluídos na Suécia, ele controla a vida de Merry, tirando sua autonomia. Assim como Merry, estamos passando por um período de isolamento social devido a Covid-19. Frank percebe durante o livro o quão fácil é enlouquecer em uma quarentena e deduz ter acontecido o mesmo com as mulheres por ali. Vendo a situação atual, você diria que esse sentimento de enlouquecimento acontece com todos ou especialmente com pessoas como Merry?

Eu ouvi alguém dizer que a Covid-19 destaca o que já estava lá, e eu gosto dessa ideia. Se houver rachaduras no casamento, as coisas vão piorar. Se já era um bom relacionamento, é mais fácil de lidar. Claro, estes são tempos bizarros e nunca estivemos estressados e isolados assim antes - acho que todos temos direito a um pequena loucura.

Mas com toda a seriedade, é claro que mulheres como Merry, que se sentem terrivelmente isoladas e sozinhas vão se sentir ainda mais - e pior, as vítimas de violência doméstica devem estar sofrendo mais do que nunca agora.

Com a Merry, sua situação é um pouco ambígua, porque ela tem um marido controlador, mas ela também é profundamente dependente dele e precisa que ele diga quem ela é e o que ela é. Ela é uma vítima de "abnegação" - estar sem um eu, mais do que outra coisa.


Quer conferir a entrevista completa? Te espero no Clube Métrica!

Comentários

  1. Tô adorando visitar e ler seus conteúdos, são sempre os melhores!


    Meu Blog: Clara Salles

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