FERRANTE, Elena.


Ei! Tudo bem? 
Espero que sim :)

Hoje, pela primeira vez em alguns longos anos de blog, eu decidi que falaria sobre quem escreve e não sobre o que escreve. Isso fez sentido? Acho que sim. Estranhamente, porém, eu escolhi a pessoa que menos gostaria de uma publicação ao seu respeito e, sim, estou falando de Elena Ferrante, mas apenas para dizer que não importa quem é Elena Ferrante. 

Dizendo assim, é fácil acreditar que eu não gosto de suas obras, mas ao contrário, sou uma fã fervorosa desde o minuto em que um teste estilo BuzzFeed me disse que o livro que mais me representava era Amor Incômodo. A partir daí falar sobre o que essa autora produz é inevitável. 

Tudo bem não conhecer essa escritora, porém, não faz sentido não querer conhecê-la. Isso porque ela traz uma das melhores partes da literatura italiana do século XXI. Faz isso de maneira diferenciada, não colocando seu rosto na contracapa de suas obras. 

Isso porque Elena Ferrante é um pseudônimo e, claro, existem diversas teorias sobre quem está por detrás desse nome, a maior dedução é Anita Raja - tradutora romana, o que não é algo realmente importante. O importante, porém, é a preservação da imagem daquela que não quer prevalecer ao seu livro.

Concedeu poucas entrevistas e todas foram por e-mail, e seu anonimato não é algo que possa ser comprado, a autora acredita que quando termina um livro, ele deve existir por si só. Ao colocar seu rosto ao lado, isso não teria sequer sentido. 

"Eu não sei se minha escrita tem a energia que você fala que tem. Claro, se essa energia existe, é porque ou não encontra outros canais ou, conscientemente ou não, recusei escoá-la por esse outros canais. Claro, quando escrevo, eu extraio partes de mim mesma, de minha memória, que são agitadas, fragmentadas, que me deixam desconfortável. Uma história, a meu ver, só vale a pena ser escrita se sua alma emerge dali." - Ferrante em entrevista a revista francesa L'Obs em 2018

Sua fala marcante para L'Obs nos faz questionar quantas vezes não notamos a exposição de quem produz a obra, quantas vezes não comparamos a vida de quem escreve ao que foi escrito, quantas vezes não nos deparamos a críticas cruéis que - em muitos momentos - não se direcionam ao livro mas sim ao autor? 

A perseguição constante, a grande pergunta "Quem é Elena Ferrante?" está sempre por noticiários, e isso só nos mostra o quanto essa autora tem razão por querer se distanciar, nos faz pensar também em como a mídia não trabalha o que foi escrito, mas o motivo em si, e nem sempre o motivo é o autor da obra. 

Então é isso que eu vim fazer hoje, convencer vocês a darem uma chance para Elena Ferrante, mas não para vocês fazerem teorias da conspiração sobre quem é Elena Ferrante. Vim dizer para vocês que isso não importa, o que importa é a história que está em suas mãos e eu garanto que você nunca vai ler algo tão intenso e verdadeiro. A escrita é ágil ao mesmo tempo que é frágil, consegue conduzir o leitor e transmitir a realidade dos napolitanos, mas também de cada pessoa que nasce, cresce, adoece, envelhece e por aí. A construção de quem somos é o que recebemos em histórias grandiosas da autora, ao finalizar, é impossível não sentir cada emoção. 

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