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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Leah Fora de Sintonia | Resenha


Olá, tudo bem com vocês?

Pra quem acompanha meus textos aqui para o site faz um tempinho, sabem que o livro da autora Becky Albertalli, "Com Amor, Simon", se transformou num dos meus queridos da vida toda; O livro foi tão importante e marcante pra mim que inclusive entrou na minha lista de melhores leituras do ano de 2018. Eu demorei, mas comprei a "continuação indireta" da história de Simon, chamado Leah Fora de Sintonia, que traz a melhor amiga do carismático personagem como protagonista e agora temos a chance de conhecer melhor suas inseguranças e angústias.


Autor(a): Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Gênero: YA, Comédia, Drama
Número de Páginas: 320
Sinopse: Leah odeia demonstrações públicas de afeto. Odeia clichês adolescentes. Odeia quem odeia Harry Potter. Odeia o novo namorado da mãe. Odeia pessoas fofas e felizes. Ela odeia muitas coisas e não tem o menor problema em expor suas opiniões. Mas, ultimamente, ela tem se sentido estranha, como se algo em sua vida estivesse fora de sintonia. No último ano do colégio, em poucas semanas vai ter que se despedir dos amigos, da mãe, da banda em que toca bateria, de tudo que conhece. E, para completar, seus amigos não fazem ideia de que ela pode estar apaixonada por alguém que até então odiava, uma garota que não sai de sua cabeça. Nesta sequência do sucesso Com amor, Simon, vamos mergulhar na vida e nas dúvidas da melhor amiga de Simon Spier. Em um livro só dela, mas com participações mais do que especiais dos personagens do primeiro livro, vamos acompanhar Leah em sua luta para se encontrar e saber com quem dividir suas verdades e seus sentimentos mais profundos.


Eu considero Becky uma das melhores autoras da nossa geração. A mesma possui uma particularidade muito grande em sua escrita e eu acho simplesmente sensacional a maneira com que a autora se propõe a discutir assuntos que sejam ainda tão delicados de uma maneira totalmente natural e coesa com a história criada. Leah é uma adolescente que sofre com a separação dos pais e o mais novo namorado da mãe. Ela não se dá muito bem com as pessoas na escola que frequentemente fazem críticas ao seu peso, mesmo ela não se incomodando com esse detalhe. Ela precisa lidar com muitas coisas, incluindo a sua bissexualidade, que ainda é um segredo para todos, inclusive Simon, seu melhor amigo. Com a proximidade do baile de formatura e o término do ensino médio, todos estão muito animados com as mudanças em suas vidas: Estão escolhendo faculdades e fazendo planos para a vida adulta e Leah simplesmente sente que está sendo deixada de lado. Tudo piora quando começa a descobrir que o sentimento de rejeição que sentia por uma menina se transforma em atração e, posteriormente, amor. Sofrendo por se apaixonar por uma menina hétero que, ainda por cima, é namorada de um de seus amigos, Leah passa por esse turbilhão de emoções enquanto precisa lidar por todas essas questões e ainda decidir o que é melhor para seu futuro.

- Está de dieta?  - pergunta Taylor.
- Hein?
Sério, quem faz uma pergunta dessas? Antes de mais nada, acabei de comer vinte toneladas de M&M's. Depois, que tal ficar de boca calada um pouquinho? As pessoas não conseguem assimilar o conceito de uma garota gorda que não faz dieta. É difícil acreditar que eu possa realmente gostar do meu corpo?

No início do texto, eu classifiquei o livro como uma continuação indireta de Com Amor, Simon. Por que eu disse isso? Apesar da narrativa em Leah Fora de Sintonia trazer os mesmos personagens e dar sequência aos eventos após o término do primeiro livro, você não precisa necessariamente ter lido para entender o contexto da história, uma vez que o foco da narrativa é Leah. Ainda que o livro faça algumas referências a história anterior, Becky teve o cuidado de fazer algumas explicações ao longo da narrativa para que as pessoas que não leram seu livro anterior não se sentissem perdidas com o que estava acontecendo. Leah Fora de Sintonia traz a mesma escrita irônica e engraçada da autora e é simplesmente uma delícia de ser lido. Você se distrai e mergulha nos dramas de cada um dos personagens e é fácil perder a hora enquanto lê, contudo, o livro foi bem inferior em alguns quesitos que iremos discutir a seguir. 



Ainda que a história seja escrita de maneira muito agradável, eu simplesmente odiei a Leah. Eu não me lembro da personagem ser tão chata em Com Amor, Simon - inclusive estou pensando em reler o livro só pra ver se a autora modificou tanto a personagem assim, ou ela sempre foi desse jeito, mas não prestava muita atenção nesses detalhes porque estava focado em saber da história do Simon. A personagem tem seus problemas e entendemos isso, mas a menina reclama literalmente de tudo que acontece ao seu redor. Nada nunca tá bom, ela nunca tá satisfeita, ela nunca fica feliz, não importa o quanto as pessoas ao seu redor se preocupem com ela. Chega um ponto que a leitura fica realmente difícil porque Leah se coloca no papel de vítima 100% do tempo e não faz nada pra mudar esse cenário. Diferentemente de Simon que logo consegui desenvolver uma forte relação de simpatia, Leah é apática e nada carismática e eu queria dar uns sacodes nela pra ver se ela acordava pra vida. Sério, não dava. Ao mesmo tempo em que o livro traz ótimos questionamentos, como essa obsessão pelo corpo perfeito e Leah simplesmente não se importar com isso, a personagem em outros questões era totalmente insuportável.

Outra coisa que me incomodou demais foi o desenvolvimento da relação dela com a tal menina. Não irei contar muito sobre isso por motivos de spoilers, no entanto, o livro é muito repetitivo e a autora toma um tempo demasiadamente longo pra não chegar em lugar nenhum: São capítulos e capítulos que ficam naquele "lenga lenga" e você simplesmente não aguenta mais ler sobre a mesma coisa. Os diálogos entre as duas também foram bem esquisitos e Leah sempre repetia a mesma coisa. Tava cansado já. Novamente, torno a frisar que acho Becky uma das autoras mais representativas da atualidade. Ela busca sempre incluir protagonistas diferentes e temáticas muito delicadas que precisam ser discutida, mas em Leah Fora de Sintonia, não curti muito a maneira com que os temas como separação, bissexualidade e foram retratados. Achei tudo um tanto quanto esquisito e em algumas situações até forçadas. Já o racismo, um outro tema explorado na história, achei super pertinente e bem escrito. Foi um ponto de destaque positivo na obra e vale ser mencionado.

A única coisa pior do que experimentar vestidos é ouvir um monte de garotas magrelas experimentando vestidos no provador do lado. Ouvi-las procurando defeitas em si mesmas. É como se nem adiantasse eu gostar do meu corpo, porque sempre tem alguém para me lembrar de que eu não deveria gostar.

Se por um lado o gancho principal da história do livro estava chato, o mesmo não devo dizer sobre o desdobramento das narrativas dos personagens secundários. Simon continua sendo o melhor personagem já escrito pela autora e confesso que fiquei mais curioso em saber mais sobre o que aconteceria com ele e "Blue" do que a história da Leah em si. Os personagens coadjuvantes continuam exercendo um papel fundamental e de suma importância para o desenvolvimento da narrativa e particularmente, gosto muito da maneira com que Becky mistura a vida dos seus personagens nessas situações diversas em que cada um é construído de maneira interessante e coesa. Eles possuem seus momentos de destaque na obra e apesar dos problemas que encontrei com a história da Leah, tenham certeza de que o livro continua sendo muito divertido e algumas cenas são simplesmente hilárias e memoráveis, como o convite de Simon para o baile de formatura.

Leah Fora de Sintonia traz uma ótima mensagem de aceitação e empoderamento e, em minha opinião, se a autora não tivesse criado de maneira tão "artificial" o relacionamento entre as duas, o livro teria um resultado muito superior. Mesmo não sendo lá sua melhor obra (eu amo e vou defender Simon até o final), é uma leitura leve e rápida de ser feita, trazendo temas modernos em uma narrativa moderna e jovial. Recomendo que você faça a leitura de Com Amor, Simon e depois leia Leah, pois é uma ótima oportunidade de complementar as narrativas criadas no primeiro livro e ainda matar as saudades de personagens tão importantes e representativos.



Nota: 3,5 / 5,0