Slide

Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

As Mil Partes do Meu Coração | Resenha


Foto: Minha Vida Literária
Olá!
Tudo bem com vocês?

Não, não se preocupem. Vocês não clicaram errado. Eu sei que vocês estranham quando não falo de King ou de algum livro de suspense, thriller mas é muito importante dar uma variada, não é mesmo?
Felizmente em agosto consegui retomar meu ritmo de leitura e creio que tenha sido o meu mês mais produtivo na área. Essa, se não, me engano, é a terceira vez que trago uma resenha de algum livro da Colleen Hoover aqui pra vocês, uma das autoras mais polêmicas da atualidade. Particularmente eu gosto muito de seu estilo de escrita e me agrada a forma com que a mesma monta a sua história. Hoje vim falar um pouquinho pra vocês a respeito do livro As Mil Partes do Meu Coração, lançada pela Galera Record.


 
Autor(a): Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Gênero: Drama
Número de Páginas: 336
Sinopse: Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali. Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

Eu sei que muita gente não gosta da autora. Eu apenas li seus livros mais recentes, mas tenho uma amiga que gostava muito da autora, no entanto, parece que houve uma mudança muito brusca com relação aos estilos de livro que a autora publica, trazendo agora uma temática mais adulta e colocando em evidências assuntos complicados e de impacto. Particularmente me agrada mais esse estilo, já que não gosto muito de livros de romance, porém, começo essa resenha dizendo que da mesma forma que em Tarde Demais, seu outro livro, a autora precisa modificar a forma com que os assuntos são abordados. Iremos comentar sobre isso mais adiante.
Merit Voss possui uma família bem disfuncional. Eles vivem em uma antiga igreja que foi transformada em uma casa em que vivem seu pai, sua nova esposa chamada Victória, sua mãe que após um câncer desenvolveu algumas fobias sociais e agora mora no porão da igreja e não sai de casa por nada (e, por sinal, seu nome também é Victória). Seu irmão mais velho Utah também mora na casa, assim como Moby, o caçula e filho do segundo casamento de seu pai, e sua irmã gêmea idêntica, Honor. Merit sofre de uma espécie de complexo de inferioridade com relação à sua irmã, que é sempre a mais bonita, a mais inteligente, a mais legal e popular, enquanto Merit se enxerga como invisível. Como se o cenário já não fosse caótico o suficiente, a casa recebe dois novos moradores: O divertido Luke e o misterioso Segan, namorado de Honor. Como sabemos muito bem, isso por si só se categoriza como um episódio de A Grande Família, mas não faz nem um pouco o estilo de Colleen. Cada membro da família Voss esconde um segredo e possuem seus fantasmas no armário. O ponto convergente de todos os segredos é Merit, que não aguenta conviver com a família fingindo que tudo funciona as mil maravilhas enquanto as coisas são jogadas para debaixo do tapete e resolve expor o segredo de cada um deles.

Ninguém poderia supor nada disso nem mesmo de dentro da nossa casa. Sabemos guardar segredos nessa família. 

Como citei, essa é a minha terceira leitura da autora. Também já havia lido Tarde Demais e É Assim Que Acaba, dois livros que foram verdadeiros soco no estômago tamanha agressividade. A autora sempre apostou em personagens complexos e dramas reais, mas em As Mil Partes do Meu Coração a autora caprichou. Eu nunca li uma história em que todos os personagens fossem tão bem explorados e na narrativa; os segredos dos membros da família Voss são muito bem aproveitados e entrelaçados, que me passou o mesmo sentimento de sufocamento que Merit sent antes de expô-los ao mundo. O drama família é realmente muito bem desenvolvido e você acaba reconhecendo sua família por tabela; obviamente, os segredos não são assim tão densos (talves sejam, vai saber), mas todo mundo tem seus problemas e precisamos encontrar uma forma de resolvê-los e não viver em uma fotografia. Esse pra mim, talvez seja o grande objetivo do livro: Demonstrar que por trás de gramados bem cuidados e cercas brancas, toda família tem seus problemas e desavenças.

Tanta gente sonha em morar em uma casa com uma cerca branca, pensando em ter uma casa grande e confortável. O que as pessoas não sabem é que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

Retomando o que disse lá no início sobre a escolha de temática para os livros, acredito que seja de suma importância que falemos cada vez mais sobre os temas que Colleen aborda. Inclusive, é o papel social e cultural da literatura. No entanto, é necessário muito cuidado com a escolha de palavras e a forma de abordagem. Muitas vezes, uma pessoa que sofre de algum desses problemas pode interpretar seus diálogos como gatilho e aí sim desencadear algo muito pior. A escrita da autora é muito envolvente e imersiva, o que torna muito fácil prestar atenção em seus textos. Ao falar sobre depressão, por exemplo, ao longo das páginas de As Mil Partes do Meu Coração, notei uma certa romantização, o que pode ser extremamente perigoso, principalmente se levarmos em consideração o público alvo da autora. Contudo, torno a frisar que sim, precisamos debater e discutir sobre a cultura do estupro, violência doméstica, depressão, entre outros, porém, é necessário haver um zelo muito maior para a abordagem em filmes, séries e livros.
Voltando a falar da história, o livro flui muito bem e eu o finalizei em apenas um dia. Sua narrativa é muito fácil de se apegar, os personagens carismáticos e é tudo muito bem amarrado. Confesso que num primeiro momento, não estava gostando muito, principalmente pelos famosos clichês adolescentes de obras do gênero que ninguém mais aguenta, mas depois a história se transforma em algo muito mais complexo e denso. Eu amei de paixão os personagens e senti que a história poderia se estender por  mais 500 páginas que não ficaria chato. Luke é a melhor parte, com toda certeza e não quero contar muito sobre a ligação dele com a família pra não estragar a surpresa, mas vocês irão gostar. Realmente, o meu grande problema com a narrativa foi a romantização de certos pontos e também alguns exageros nas temáticas; ficou um pouco aquela sensação de que foi escrito apenas para chocar, soando deslocado e artificial da narrativa. Outra coisa que não gosto muito é que em toda a história da autora (ao menos as que eu li), todos os personagens são muito padronizados e "elitizados". A autora possui muita coragem em abordar temas difíceis, mas utiliza sempre esse mesmo grupo. 

Nem todo erro merece uma consequência. Às vezes a única coisa que ele merece é o perdão. 
As Mil Partes do Meu Coração é uma história mega divertida e importante. Ainda que aborde situações complicadas, é uma narrativa que te segura e é algo agradável, diferente de Tarde Demais, livro que te deixa com gosto amargo na boca durante toda a leitura. Recomendo para todos, no entanto, tomando cuidado com os pontos que destaquei. No mais, é uma leitura muito reflexiva sobre enfrentar os nossos problemas de frente e que não há coisa mais valiosa no mundo do que nos cercarmos das pessoas que nos amam, a nossa família.

Nota: 4,0 / 5,0