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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Desafio King: O Cemitério | Livro x Filme


E aí, meus queridos!

Tudo bem com vocês?

Hoje é o dia de mais um Desafio King para vocês (inacreditável que já estamos no 5º post desse desafio, está passando muito rápido), mas dessa vez resolvi trazer algo diferente: Aproveitando o lançamento do filme O Cemitério Maldito, resolvi fazer a leitura do livro para o mês de maio e trazer um combo resenha/crítica. Iremos comentar sobre as duas obras, suas principais diferenças, o que foi bom, o que poderia melhorar... tudo no modelo que já estamos acostumados a fazer. Para tal, irei dividir esse texto em três partes: A primeira conterá uma mini resenha do livro "O Cemitério", a segunda, a crítica ao filme e na última parte, uma comparação sobre as duas obras. 

Vamos lá? 

Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Gênero: Terror
Número de Páginas: 424
Sinopse: Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar em uma pequena cidade do Maine. A boa casa, o trabalho na universidade e a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha. Num dos primeiros passeios pela região, conhecem um cemitério no bosque próximo à sua casa. Ali, gerações de crianças enterraram seus animais de estimação. Mas, para além dos pequenos túmulos, há um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras. Um universo dominado por forças estranhas capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível. A princípio, Louis Creed se diverte com as histórias fantasmagóricas do vizinho Crandall. No entanto, quando o gato de sua filha Eillen morre atropelado e, subitamente, retorna à vida, ele percebe que há coisas que nem mesmo a sua ciência pode explicar. Que mistérios esconde o cemitério dos bichos? Terá o homem o direito de interferir no mundo dos mortos? Em busca das respostas, Louis Creed é levado por uma trama sobrenatural em que o limite entre a vida e a morte é inexistente. E, quando descobre a verdade, percebe que ela é muito pior que seus mais terríveis pesadelos. Pior que a própria morte - e infinitamente mais poderosa.

Apesar de terror ser um dos meus gêneros literários favoritos, eu ainda estou dando os meus primeiros passos em meio a esse universo fantástico. Muitos autores me chamam atenção, mas é claro, é impossível não lembrar de Stephen King e suas obras emblemáticas. Meu acervo de leituras do autor ainda é bem pequeno e por isso resolvi fazer esse desafio ao longo de 2019: Meu objetivo é, principalmente, conhecer e ler o máximo de obras do mestre que eu conseguir; para tal, resolvi começar a ler seus grandes clássicos e obras que marcaram toda uma geração. O Cemitério é justamente uma dessas obras Lançado em 1983 e mesmo com 36 anos de vida, a obra se mantém como uma das referências do gênero e é tido por muitos, como um dos melhores livros do autor. Mergulhei nessa história e minhas suspeitas se confirmaram: King foi extremamente feliz na confecção do enredo que traz muito terror, obviamente, mas também propõe ótimas reflexões sobre um tema tão mórbido como a morte.

Louis Creed se muda para uma pequena cidade do Maine (Claro que seria lá) em busca de uma mudança em seu estilo de vida. Ele era um badalado médico em Chicago, mas sentia falta de passar um tempo com sua esposa Rachel e seus filhos, Eillen e Gage. O médico então decide aceitar uma vaga no ambulatório da universidade e compra uma propriedade na cidade. Lá, Luis conhece o doce casal de idosos que vivem na casa ao lado, Jud e Norma Crandall e rapidamente as famílias se tornam amigas. Jud explica que a propriedade que adquiriram é muito antiga e seu terreno adentra as matas que cortam a região. Jud explica que na localidade há um antigo local em que as crianças utilizavam para enterrarem seus bichinhos de estimação falecidos chamado "Simitério dos Bichos". Jud explica que o nome está escrito errado por justamente ter sido escrito por uma criança. Obviamente a curiosidade da família é grande e não demora a irem conhecer o tal Simitério. Após um terrível acidente, o gato de sua filha chamado Church é atropelado e morto, e Judd guia Louis até o cemitério, achando que o animal seria enterrado na localidade. É aí então que o velho morador revela ao médico uma outra lenda local que dizia que, após a barreira que separava o cemitério dos bichos, existia uma outra parte que nenhum morador ousava se aproximar pois a terra era amaldiçoada. Tudo o que era enterrado nessa parte do cemitério, misteriosamente voltava a vida. Os dois então partem em busca desse local e enterram o gato. Na manhã seguinte, assim como prometido, Church está de volta à vida, mas não é como se fosse o mesmo gato. Louis, infelizmente não sabia o mal que havia despertado e tampouco que aquela seria sua última viagem até o antigo cemitério. 

Tentei fazer essa sinopse sem revelar muitos detalhes e que se tornam cruciais para o desenvolvimento da trama. Procurei apenas descrever a história de uma forma genérica para vocês entenderem a trama em que O Cemitério se passa. A história é muito densa e King sabe como ninguém trazer essa atmosfera de medo e apreensão e, é claro, muitos elementos sobrenaturais. Apesar de todo o lado de "fantasia", a história do livro se torna uma das melhores em minha opinião, pois é tudo muito palpável. A narrativa traz debates sobre a vida e morte, ciência e religião e, principalmente, a dor de perder alguém muito próximo e ter que lidar com isso. Como seguir em frente após sua vida ser despedaçada? Em vários momentos vemos os personagens em conflito e lidando com sentimentos muitos reais como a culpa, o medo, a raiva e o remorso. São sensações tão fortes e humanas que você se reconhece ali nas páginas. 

Obviamente, é um livro de terror e eu devo dizer, esse é O LIVRO DE TERROR que tanto ansiava por ler. Mesmo que você não seja um fã do gênero, com certeza já ouviu por aí sobre a fama do autor de construir ótimas histórias com finais terríveis. Em O Cemitério, eu tive o prazer de ler uma ótima história de terror que abordou um tema riquíssimo e de maneira exemplar, trouxe à tona esses debates tão humanos e reais e um desfecho arrebatador. Poucas vezes me senti em êxtase lendo algo do gênero e mesmo após terminar a leitura, os questionamentos se mantiveram em minha mente. A escrita de King é quase visual de tão explícita e cruel e não se enganem: Em alguns momentos é bem difícil continuar a leitura, mas digo sem pensar duas vezes: Se você procura um livro de qualidade, leiam sem medo (ou com muito medo, desculpe o trocadilho).

Título Original: Pet Sematary
Direção:Kevin Kolsch, Dennis Widmyer
Produtora: Paramount Pictures
Lançamento: 9 de maio de 2019
Gênero: Terror
Duração: 120 min
Sinopse: Uma família se muda para uma nova casa, localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado, usado para enterrar animais de estimação, mas que já foi usado para sepultamento de indígenas. Algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana dos moradores em um pesadelo.


Três anos após o lançamento do livro, chegou as telonas, em 1986, a primeira versão de o Cemitério, batizada como Cemitério Maldito. Na época o filme foi uma febre e um fenômeno de bilheteria. Vale a pena lembrar que filmes do gênero começaram a se tornar cada vez mais populares graças ao lançamento em 1973 de um dos filmes mais lendários da geração, O Exorcista. Chegamos ao ano de 2019 e o remake, apesar da carinha renovada, se manteve bem próximo da versão original e traz diversas cenas idênticas à primeira versão.  Fui ao cinema cercado de expectativas mesmo após assistir ao trailer e perceber que fizeram mudanças imensas no roteiro com relação ao filme (falaremos mais a frente sobre). O longa basicamente traz a mesma premissa do livro e acho que os diretores souberam trabalhar muito bem com isso. A adaptação da cidade é fantástica e eu realmente me senti lendo ao livro e vendo os diversos cenários, como a universidade, a casa médico, o cemitérios, dentre outros. Algumas cenas foram realmente reproduzidas com fidelidade, principalmente as da primeira metade do filme. Estava confiante que teríamos ali uma ótima adaptação, porém, a coisa começou a desandar após a tal grande mudança no roteiro. A partir desse ponto, o filme resolve seguir por outra estrada e traz um roteiro um tanto quanto confuso e nada pertinente.



O longa soube aproveitar as tomadas de suspense pra criarem uma atmosfera densa e carregada, mas são em poucos momentos que tais cenas realmente causam impacto. Por ter finalizado a leitura na sexta-feira e ido ver o filme no dia seguinte, tudo estava muito fresco na minha cabeça e durante todo o filme fiquei me perguntando do porquê mudar tantas coisas que são ótimas (e cruciais para a trama). O final do longa foi totalmente repensado e não me convenceu, porém, para os meus amigos que não leram o livro, o resultado foi satisfatório. É um filme que te prende e diverte, contudo, creio que poderia ter sido bem aproveitado mesmo com as mudanças realizadas. O filme não consegue exprimir o sentimento de angústia e em algumas cenas senti exatamente a antítese do livro, com tomadas de pouco impacto e soluções pouco criativas.

Livro x Filme

Falar dessa parte sem fazer comparações e soltar spoilers, é inevitável. Se você pretende ler o livro ou ainda não assistiu o filme, recomendo fortemente que o faça antes de ler essa parte aqui. Volta aqui depois, não tem problema, mas aviso: Pode conter spoilers.

A primeira grande mudança que senti entre as obras foi na criação da relação entre Louis e seu vizinho, Judd. No livro, os dois são muito mais próximos e o médico acaba tendo no vizinho uma imagem paternal. Os dois são muito apegados, o que justifica o velho ter mostrado o tal cemitério para Louis para enterrar o gato. No filme a relação entre os dois é pouco explorada, sendo direcionada para a filha do médico, Eillen.

O que comentamos acima sobre trazer os questionamentos entre perda, luto, morte são pouco abordadas no filme e isso foi o que mais me decepcionou. A história do livro, em minha opinião, se torna tão emblemática por justamente permear a realidade com sentimentos tão humanos. O filme aborda de maneira superficial de maneira que não despertou a empatia, tal qual eu senti no livro, porém, gostaria de destacar um aspecto super positivo no filme: Rachel, a esposa de Louis sofreu um trauma muito grande quando criança, após ter que cuidar de sua irmã mais velha que sofria de uma grave doença degenerativa. A relação das duas foi tão traumática que após a perda da irmã, Rachel desenvolve uma forte fobia sobre a morte e qualquer tema relacionado a tal. Esse aspecto é fundamental para a construção da história e, em minha opinião, a forma que o filme se utilizou desse gancho foi superior ao do livro, trazendo uma Rachel ainda atormentada por visões da irmã, o que tornam suas atitudes e o sentimento de repulsa ainda mais pertinente. Outro ponto que vale o destaque é Church: A participação no longa foi tão satisfatória quanto no livro. Trouxeram o bichano da maneira mais sombria e asquerosa tanto quanto um gato morto-vivo deve parecer.


Não irei comentar muito sobre esse próximo tema, porém, não posso deixar em branco: A morte de um personagem em específico. Entre as duas obras ocorrem a mudança de quem morre e isso exerce impacto direto na direção que irão seguir. No filme com a mudança (e que não me agradou), acabam seguindo para um caminho meio de psicopatia e vingança, enquanto no livro, seguimos para o caminho mais sobrenatural em que se é explorado as lendas locais indígenas. Como citei mais acima, esse evento chave funciona como um divisor de águas em que as duas obras seguem por caminhos diferentes. O desfecho do filme adotado foi um SUPER clichê e apagou totalmente a originalidade com que a obra termina. Os diálogos do filme também são bem aquém do esperado, assim como as decisões que os personagens tomam são questionáveis.

Em suma, a adaptação é boa, com uma excelente direção de arte, fotografia e trilha sonora (com direito a música do Ramones nos créditos finais), mas que possui sérios problemas de coerência em seu roteiro. Apesar de bons momentos e ótimas cenas de suspense, o filme não foi capaz de trazer o impacto do livro, mas mesmo assim, diverte e te proporciona um susto ou outro. Se você não leu o livro, suas chances de gostar do filme são maiores (com exceção do final que é realmente péssimo)

No mais, deixo aí minha sugestão de leitura, espero que não tenha me excedido muito.


Dessa forma, minhas notas finais foram:

Livro: 5,0/5,0
Filme: 2,5/5,0

Espero que tenham gostado da resenha/crítica e fiquem ligados que teremos muito mais King por aqui em breve. Até lá! :)