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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

O Construtor de Pontes | Resenha

Foto: Gabriel Ferrari

Olá, meus queridos amigos e amigas!

Como vocês sabem, o Cores se tornou parceiro da Intrínseca para o ano de 2019. Através dessa parceiria, iremos trazer alguns textos sobre livros bem bacanas aqui para vocês. Para inaugurar a temporada, a Cecis trouxe pra vocês a resenha do livro Você Nasceu Para Isso, da autora Michelle Sacks. Caso vocês queiram ler, basta clicar aqui. Agora chegou a minha vez e eu não poderia ter começado de maneira melhor. O livro que escolhi foi O Construtor de Pontes, do autor americano Markus Zusak, mais conhecido por seu best seller A Menina Que Roubava Livros. 

Vamos lá?


Autor: Markus Zusak
Editora Intrínseca
Gênero: Romance, Ficção
Páginas: 526
Sinopse: Em seu novo romance, presente e passado se fundem na voz de outro narrador igualmente potente: Matthew, o filho mais velho da família Dunbar. Sentado na cozinha de casa diante de uma máquina de escrever antiga, ele precisa nos contar sobre um dos seus quatro irmãos, Clay. Tudo aconteceu com ele. Todos mudaram por causa dele. Anos antes, os cinco garotos haviam sido abandonados pelo pai sem qualquer explicação. No entanto, em uma tarde ensolarada e abafada o patriarca retorna com um pedido inusitado: precisa de ajuda para construir uma ponte. Escorraçado pelos jovens e por Aquiles, a mula de estimação da família, o homem vai embora novamente, mas deixa seu endereço num pedaço de papel. Acontece que havia um traidor entre eles: Clay. É Clay, então, quem parte para a cidade do pai, e os dois, juntos, se dedicam ao projeto mais ambicioso e grandioso de suas vidas: uma ponte feita de pedras e também de lembranças ― lembranças da mãe, do pai, dos irmãos e dele mesmo, do garoto que foi um dia, antes de tudo mudar. O tempo, assim como o rio sob a ponte, tem uma força avassaladora, capaz de destruir, mas também de construir novos caminhos. O construtor de pontes narra a jornada de uma família marcada pela culpa e pela morte. Com uma linguagem poética e inventiva, Markus Zusak nos presenteia mais uma vez com uma história inesquecível, uma trama arrebatadora sobre o amor e o perdão em tempos de caos.



Eu ainda me lembro claramente do impacto que foi ler A Menina Que Roubava Livros. Eu estava naquela fase de transição entre a infância e adolescência e o livro foi um ponto decisivo que me fez mergulhar de cabeça no universo da literatura. Eu me lembro que lia muita coisa infantojuvenil, principalmente livros de fantasia e ação, mas já começava a demonstrar interesse por história. Minha irmã mais do que sagaz me contou que a narrativa era ambientada durante a Segunda Guerra Mundial e eu, sempre impulsivo juntei o troco da merenda e comprei o livro. Me lembro que virava noites lendo tamanha imersão em uma narrativa excepcional e emocionante. Foi a partir dessa leitura que descobri minha verdadeira paixão por esse mundo, então tenho um carinho muito especial por ele, inclusive meus amigos já não aguentam mais me ouvir falar dele. (Oba, agora tenho um novo pra indicar!) O Construtor de Pontes marca o retorno de Zusak após um longo hiato; de acordo com o próprio autor ele levou apenas 13 anos para concluir a história.

Parece que existe uma espécie de maldição que ronda a vida dos autores: Quando se consegue implacar um livro e o mesmo se torna best seller mundial, - Estima-se que a história de Liesel vendeu mais de 16 milhões de cópias - acabam querendo sempre repetir o sucesso de seus livros passados. Obviamente, a mídia faz um grande alvoroço por conta do lançamento e os fãs ficam loucos, fazem filas em livrarias, sedentos por devorarem as páginas do novo romance. As expectativas são tantas que é totalmente normal que um autor recorra a sua zona de conforto para lançar um livro que atenda a demanda, mas sem necessariamente trazer uma novidade. Felizmente, não foi o caso de Markus; ele demorou, mas nos presenteou com uma história completamente nova e diferente de seus livros anteriores, mas igualmente reflexiva e emocionante.


Foto: Gabriel Ferrari


Em O Construtor de Pontes somos apresentados apresentados a William Dunbar, irmão mais velho de outros quatro. O jovem após desenterrar uma velha máquina de escrever utilizada por sua avó, resolve contar a história de sua família unindo passado e presente que convergem em um ponto em comum: Após perder a mãe para uma doença, os jovens mais uma vez precisam testemunhar o sentimento de abandono e rejeição quando seu pai desaparece sem dar nenhuma explicação. Anos se passam e tão repentino quanto seu desaparecimento, o patriarca retorna até a casa em que tudo aconteceu, solicitando a ajuda de seus filhos para construir uma ponte que corta o rio em uma cidade próxima. Os irmãos, ainda muito machucados e magoados com o pai, não aceitam e o expulsam da casa. O homem então deixa seu endereço anotado em um papel e parte em direção a cidade. O que William não imagina é que Clay, seu irmão mais novo (e extremamente apegado a sua mãe), resolve largar tudo e ir em busca do seu pai para ajudá-lo nessa misteriosa empreitada.

Mesmo sendo capaz de criar uma história completamente nova, Markus conseguiu inserir de maneira exitosa alguns elementos que se tornaram marca registrada na narrativa de A Menina Que Roubava Livros. Uma delas é trazer o papel de narrador para suas histórias. Se antes a Morte era quem contava a história de Liesel, Michael Dunbar se torna o responsável por contar a história através da escrita em sua máquina de escrever recém herdada. Um recurso que ele chegou a utilizar em seu livro anterior e que agora foi amplamente utilizado é trazer uma narrativa mais "cantada", quase em tom de prosa em frases curtas e que rimam. A ideia é boa e em alguns momentos existem passagens realmente lindas, mas num primeiro momento é bem estranho ler uma obra com essa estrutura textual. Fiz a leitura dos primeiros capítulos sem saber muito bem o que esperar do livro, porém você facilmente se acostuma com esse estilo e a leitura flui super bem. Apesar de ser uma obra relativamente grande, com mais de 500 páginas se torna leve de ler. Você se prende na história e é capaz de ler por horas sem nem ao menos perceber.

Apesar da narrativa eficiente, preciso pontuar que, em algumas partes da história, o autor não conseguiu sustentar essa estrutura da narrativa. Analisando os diferentes objetivos dos capítulos, ficou muito clara essa divisão em que a primeira parte do livro e o final trazem uma narrativa confusa e pouco precisa, enquanto o meio do livro nos brinda com uma narrativa enfática, precisa e cativante. A falta de objetividade nas partes iniciais e finais da história tornam o livro um pouco massante e não sei se foi proposital. Não vi muitas pessoas reclamando desses pontos e talvez tenha sido apenas impressão minha enquanto lia, mas não senti uma homogeneidade da obra como um todo, porém, não é nada muito grave. Os capítulos são bem pequenos, não ocupam mais que 4 páginas e, como citei anteriormente, intercalam entre passado e presente a medida que Michael revisita a história de seus pais até o abandono de Clay para ajudá-lo na construção da ponte.

Tento imaginar do que essa ponte será feita, mas no fim das contas acho que isso não fará diferença. Queria poder levar crédito pela frase, mas sei que você vai se lembrar dela, do texto de orelha de O Marmoreiro:
"tudo que ele construiu na vida era feito não apenas de bronze ou de mármore ou de tinta, mas dele... tudo que havia dentro dele."
Tenho certeza de uma coisa:
Essa ponte será feita de você.

Se por um lado a narrativa pode ser confusa em alguns pontos, não posso dizer o mesmo para a construção dos personagens e não me lembro a última vez que fiquei tão apaixonado por um personagem assim antes. São todos tão humanos e repletos de sentimentos, como raiva, culpa, tristeza, felicidade e amor. É uma história muito palpável, principalmente no que diz respeito ao conflito familiar no qual O Construtor de Pontes se baseia. A ponte em si, em minha opinião, é uma metáfora que representa o processo de cura e perdão que pai e filhos precisam passar juntos para reconstruir sua família e essa é a parte mais emocionante de toda a história: O drama familiar dos Dunbar é explorado com maestria e uma delicadeza que impressiona, além de mostrar a luta particular de cada um dos filhos de lidar com a dor do luto, da perda e do abandono. A forma com que Michael escolhe apresentar a sua família cativa o leitor a ler cada vez mais e a mergulhar fundo na história. O final do livro é belíssimo e fecha com chave de ouro uma história que foi pensada e planejada por anos e anos. Markus realmente deve estar muito satisfeito com o resultado e irei recomendar para todas as pessoas. É uma história imperdível e definitivamente farei uma releitura daqui algum tempo.


Foto: Gabriel Ferrari


Com O Construtor de Pontes, Markus se estabelece como um grande nome da literatura mundial e demonstra para todos seu talento e sua capacidade de arrancar risos e lágrimas de seus leitores em uma história original e envolvente que, apesar dos problemas que senti lendo, não foram capazes de apagar o brilho de uma das melhores histórias que li em minha vida. Certamente entrou para o hall dos meus livros favoritos e conquistou um espacinho especial no meu coração.



Nota: 4,0/5,0 
* Livro cedido em parceria com a Editora Intrínseca*

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  1. Oi Gabriel.
    Eu adorei A Menina Que Roubava Livros e uma das minhas próximas leituras deve ser O Mensageiro do autor. Ainda não conhecia essa obra, mas fiquei encantada pelos pontos que ressaltou, até mesmo pelo que você criticou. Sinto que adoraria ler o livro em vários aspectos dele.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  2. Eu ainda não li a menina que roubava livros... #quevergonha eu sei! não faltam indicações pra eu ler!
    Mas fiquei apaixonada nessa resenha! E muito mais empolgada para conhecer o autor.
    Sou fã de uma história bem lapidada!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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