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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Muito além dos estereótipos

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Ei! Tudo bem?
Separe sua xícara, temos muito que conversar hoje!

Não sei vocês, mas eu amo quando estou extremamente cansada e consigo um tempo para deitar no sofá, comer alguma coisa acolhedora e assistir algum programa de estilo de vida na televisão. Isso significa ficar vendo TLC ou Discovery Home & Health. Esses dias, porém, percebi algo que todos eles tem em comum: a vida é uma droga, nós somos pessoas com milhares de falhas e precisamos concerta-las até virarmos protagonistas de um filme de Hollywood.

É claro que esses programas possuem roteiros dramáticos e muita falsidade para que exista a emoção ideal para que queiramos assistir. Mas também é claro que eles conseguem de fato mostrar a realidade das pessoas, como elas se sentem no seu lugar do mundo.

A moda moldou os estereótipos de beleza, a forma "certa" de se vestir e aos poucos quem se sentia oprimido com a situação passou a mostrar sua força em protestos. A calça, por exemplo, era um símbolo de poder masculino, em 1800, Paris - França, existia uma lei que determinava que mulheres que utilizavam calças na rua poderiam ser presas! A lei, entretanto, só acabou de verdade em 2003. É claro que no meio do caminho temos histórias de mulheres fortes que lutaram para mudar a questão, como a estilista francesa Coco Chanel.

Outro fato foi os comerciais americanos que, atualmente, são ridicularizados, mas que mostravam que o papel da mulher era cozinhar e servir seus dois filhos lindos e marido forte e poderoso que sustenta a família. Esses comerciais, questões religiosas, e o conservadorismo ajudaram a popularizar o título "família tradicional" que, infelizmente, ainda escutamos muito sobre isso por aí.

Mas em qual lugar eu quero chegar? Não achem que estou aqui porque acordei e pensei em como a história foi errada e como nós estamos a repetindo. Na verdade, eu estava assistindo Queer Eye (eu disse que falaria mais vezes sobre), a terceira temporada para ser mais precisa, e percebi que esse é o programa de estilo de vida mais perfeito que existe. Antes eu pensava que a genialidade estava nos ensinamentos contra preconceitos que a sociedade tem, homofobia e racismo são os principais. Conhecer a história de cinco caras gays autointitulados 5fab (de cinco fabulosos) é incrível, porque eles querem ensinar e aprender com histórias de pessoas que estão lutando diariamente para conseguir se aceitar e achar seu espaço no mundo. Todavia, apesar desse ser um dos pontos fortes, eu reparei - finalmente - que Queer Eye é sobre quem a gente precisa ser e não sobre quem o outro acha que precisamos ser, o que muda completamente do programa que joga suas roupas fora em um cesto de lixo porque alguém acha, alguém se intrometeu na sua vida e disse que aquelas roupas não são boas, aquelas roupas não vão te fazer conquistar um espaço na sociedade que exige personagens de Hollywood. Isso é mentira!

Em Queer Eye, o foco é descobrir quem você é, sua essência e te mostrar que você é belo desse jeito, que você tem um lugar no mundo e é isso que faz você ser quem você realmente é. Enquanto em alguns lugares a gente quer mostrar pessoas falsas, os 5fab querem que você se aceite e seja feliz da maneira que você escolheu.

Porém, também não estou aqui para ficar elogiando um programa, mas sim para falar o que isso representa. A gente passa a nossa vida inteira em meios coletivos, o individual só existe de fato quando estamos deitados na nossa cama com os pensamentos à flor da pele. E eu lhe pergunto, quem estará com você nesse momento além de você? Ninguém. Não se sinta pressionado ou triste com o fato, a nossa companhia é realmente importante e necessária, é lindo se amar, se colocar em primeiro lugar para que estejamos abertos a diferentes tipos de relações. O único problema está quando decidimos que vamos nos moldar pelo outro, vamos seguir os corpos das modelos da Victoria's Secret, vamos nos preocupar com o que estão achando da nossa roupa, vamos fazer aquilo que não queremos, mas vamos fazer porque supostamente alguém disse que aquilo era o melhor. Melhor para quem?

Em algum momento a gente percebe que não vai mais adiantar ficar fugindo de quem realmente somos, isso não nos faz bem e, vou contar um segredo para vocês que a Victoria não contou, em algum momento essa máscara que a gente criou cai e o que sobra não é bonito e é ainda mais difícil nos encontrarmos. Ser quem somos é belo e a gente merece isso.

Obrigada, foi um excelente chá!