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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

08.03

NF Notícias


Ei! Tudo bem?
Separe sua xícara, o papo hoje é longo!

Eu não pretendia falar sobre isso, na verdade, eu nem pretendia falar sobre algo. O Chá das Seis parece realmente complicado enquanto você não começa a digitar as palavras que surgem no pensamento. Mas estou feliz em falar sobre isso, em fazer algumas mudanças no cronograma para falar sobre nós, mulheres. Afinal, calhou do Chá cair no nosso dia, dia que deveria ser comemorado todos os dias. Ser mulher é ser luta, é preciso de força e coragem. Todo dia é dia de ser esse espírito que busca liberdade constante.

Mas por que hoje, 8 de Março, a gente quer lutar ainda mais? A gente quer mostrar que nossa força é maior do que o patriarcado fala? Isso é simples, 8 de Março é uma data histórica, e a gente não deve esquecer datas históricas.

Poderia ser obra do comércio, mais uma forma do capitalismo se apossar de comemorações. Ironicamente essa data surge com a ideia do capitalismo da Revolução Industrial, período esse marcado por diversas manifestações de mulheres, principalmente, em busca de melhores condições de trabalho e igualdade salarial.

Alguns momentos podem e precisam ser lembrados, como o dia 25 de Março de 1911, dia em que 130 operárias morreram carbonizadas em um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York. Porém, a data, que foi escolhida pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1975, tem outros eventos marcantes.

Desde o final do século XIX, grupos feministas surgiram de movimentos operários que protestavam em países da Europa e nos Estados Unidos. Como disse, a Revolução Industrial foi marcada de fato por uma revolução, mas também por trabalho infantil, longas jornadas de trabalho e salários desiguais, sendo todos medíocres, essas mulheres lutavam contra isso. Essa Era é representada no filme As Sufragistas, merece nossa atenção.

A partir de acontecimentos parecidos surge o primeiro Dia Nacional da Mulher, que foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando aproximadamente 1500 mulheres manifestaram a favor de igualdade econômica e política. Depois do evento a data foi alterada algumas vezes de acordo com movimentos feministas de busca por direitos. Porém, o evento mais marcante ocorreu na Primeira Guerra Mundial. No dia 8 de Março de 1917, 90 mil operárias manifestaram contra o Czar Nicolau II, elas alegavam más condições de trabalho, fome e iam contra a participação da Rússia na guerra.

Sei que muitos podem me questionar sobre como eu estou falando sobre o Dia Internacional da Mulher incluindo o feminismo. A resposta é óbvia. O feminismo luta por igualdade entre homens e mulheres, o dia 08 de Março surge historicamente por lutas de igualdade.

E falando sobre feminismo... Essa ideia de luta pela igualdade cívica e civil entre homens e mulheres apareceu pela primeira vez em uma obra de um escritor francês, enquanto filósofos iluministas achavam que a igualdade entre os sexos não fazia sentido algum. Porém, a palavra feminismo chegou bem depois, surgindo as três ondas do feminismo. A primeira é basicamente a luta por melhores condições de trabalho e ao direito à educação, enquanto ao mesmo tempo feminismo era utilizado entre os médicos para dizer que o homem tinha sua virilidade desenvolvida mal ou pouco. A segunda denunciava as desigualdades legais, culturais e questionava o papel da mulher na sociedade, entrando assuntos como divórcio, direito à propriedade privada, sexualidade, família, trabalho e procriação. A terceira é considerada uma continuação da "onda" anterior, mas mostra também os fracassos das propostas, surgindo as questões do sexismo, racismo e a opressão de classes.

Hoje a caminhada do Dia da Mulher é sobre feminismo e luta. Em diversos lugares mulheres se juntarão para questionar a política brasileira, mostrar que Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018 com seu motorista Anderson, vive, buscar igualdade, lutar pelos direitos e mostrar que nenhuma mulher será calada. Em um país com uma das maiores taxas de feminicídio do mundo, esse não é um dia sobre receber flores, é um dia muito maior do que qualquer uma rosa.

Não quero abrir espaço para uma discussão grosseira, quero falar sobre fatos, argumentar e, finalmente, mostrar um pouco sobre esse dia grandioso. Um dia que é mais feito de luta do que de comemoração em si.

Não sei em qual momento da minha vida esse sentimento surgiu, talvez tenham sido com as notícias que o jornal apresentava, só sei que agora eu não saio da rua e não consigo desistir desse movimento que busca adquirir direitos a todos, sem restrição. O feminismo é uma luta de todas e todos. Juntos podemos mudar, lute como uma garota!

Obrigada, foi um excelente chá.