Um Acordo e Nada Mais | Resenha

10 de jan de 2019
Foto: Cecília Justen

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Uma leitura que demorou a ser concluída, mas que aqueceu meu coração em cada página lida. Esperei ansiosamente para o segundo livro da série Clube dos Sobreviventes de Mary Balogh e posso dizer que foi com sua escrita madura que ela me conquistou.

Um Acordo e Nada Mais - Mary Balogh

Sinopse: Embora Vincent, o visconde Darleigh, tenha ficado cego no campo de batalha, está farto da interferência da mãe e das irmãs em sua vida. Por isso, quando elas o pressionam a se casar e, sem consultá-lo, lhe arranjam uma candidata a noiva, ele se sente vítima de uma emboscada e foge para o campo com a ajuda de seu criado. No entanto, logo se vê vítima de outra armadilha conjugal. Por sorte, é salvo por uma jovem desconhecida. Quando a Srta. Sophia Fry intervém em nome dele e é expulsa de casa pelos tios sem um tostão para viver, Vincent é obrigado a agir. Ele pode estar cego, mas consegue ver uma solução para os dois problemas: casamento. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dos dois dão lugar a uma doce sedução, e o que era apenas um acordo frio se transforma em um fogo capaz de consumi-los. No segundo volume da série Clube dos Sobreviventes, você vai descobrir se um casamento nascido do desespero pode levar duas pessoas a encontrarem o amor de sua vida.


Foto: Cecília Justen

Páginas: 304 | Autor(a): Mary Balogh | Editora: Editora Arqueiro | Gênero: Romance de Época 
Série: Clube dos Sobreviventes #2

Os livros da série não precisam ser lidos em ordem cronológica. 
Leia a resenha de Uma Proposta e Nada Mais, primeira obra de Clube dos Sobreviventes, aqui.

Sophia Fry perdeu a mãe e o pai muito cedo, então crescera passando seus dias na casa de suas tias, mas sempre como uma insignificante, uma ratinha. Como não fora apresentada para a sociedade, ela nunca fizera amigos e sempre andou escondida pelos cantos, foi assim que ela descobriu a chegada do visconde Darleigh.

Vincent, Vince para os mais próximos, o visconde, perdera a visão depois de um período na guerra. Sabendo que não teria chances de reconquistar esse sentindo, sua mãe e irmãs não o largam, passam a ver sua deficiência como um empecilho para o jovem e a última coisa que ele quer é depender de alguém. Assim, depois de mais uma dama arranjada para ele casar, sendo a última extremamente preconceituosa, Vince decide fugir, parando em sua antiga residência e encontrando Sophia em um baile.

Com a chegada de um visconde, a tia e o tio de Fry decidem que sua filha, Henrietta, seria uma excelente pretendente para Vincent. Horrorizada com a situação, Sophia decide "salvar" Vincent de uma enrascada no baile, porém, ela acaba ganhando uma expulsão de casa. Sem saber aonde ir, ela para na igreja esperando conseguir um trabalho.

Sabendo da problemática da jovem, Vincent não consegue ficar parado diante da situação e vê que a melhor solução para ambos é um casamento. Futuramente eles poderiam seguir seus sonhos e conquistar sua própria independência, o que eles não esperavam era se apaixonar.

"Era cedo demais para ter certeza. Ela aprenderia a gostar dele? Seria ele digno de ser amado? Achava que sim. Era cedo demais para saber se ela concordava com ele. Era cedo demais para pensar no futuro de longo prazo que ele oferecera de forma tão impulsiva. Sempre era cedo demais. O futuro tinha o hábito de nunca ser como o esperado ou planejado. Mas o futuro cuidaria de si mesmo."

Demorei bastante para iniciar e terminar a leitura, ela me pareceu densa e bem desgastante, porém, fui perdendo essa visão entre o decorrer das páginas. Na verdade, foi com o tempo que meu coração foi se aquecendo e eu fui me apaixonando pelo casal e por essa história que tem tantas mensagens bonitas.

"Agora era sua esposa. Ela o conhecia intimamente - muito intimamente. Apesar de sua beleza quase inacreditável, era apenas um homem. Apenas uma pessoa. Como ela, era vulnerável. Como ela, vinha levando uma vida em muitos aspectos passiva. Como ela, sentia a necessidade, o intenso desejo de viver. De levar a melhor sobre a vida em vez de simplesmente suportá-la. De ser livre e independente."

Em Um Acordo e Nada Mais, nós revemos personagens antigos e conhecemos novos que estarão em nosso coração. Posso até dizer que a junção de todos eles foi tão legal que já considero essa obra melhor que a anterior. Também afirmo que isso tem haver com Vincent.

O mocinho da história é de fato um mocinho. Ele é tão doce quanto Sophia e extremamente carinhoso. Como sua visão prevalece, mesmo que tenha a narração em terceira pessoa, a gente ganha muita sensibilidade a ele e a obra acaba se tornando mais singela. Acredito que perdemos a visão assim como ele e tudo passa a ser mais sensitivo, na nossa imaginação, é claro. Isso foi o melhor aspecto para mim. Nunca tinha lido uma história com um deficiente visual antes, não sei se todos os livros são apresentados dessa maneira, mas foi incrível o que Mary Balogh fez.

Sua escrita maravilhosa também criou Sophia Fry, uma personagem quase Cinderela. Acredito que essa obra pudesse se passar por uma releitura do conto de fadas, pois assim como Ella, Sophia tem uma família que a maltrata e em algum momento vai conhecer seu príncipe, nesse caso um visconde. Ambas irão perdoar seus parentes e reforçar a ideia de amor entre familiares, mesmo que essa relação se mostre um tanto quanto conturbada na maior parte do tempo. Sophia também é Cinderela por sua simplicidade e carinho com o próximo, e mesmo que elas sejam apresentadas como fracas, ambas se mostram extremamente fortes em suas próprias histórias. Sua relação com Vincent encanta exatamente por esse motivo e nós conseguimos quebrar vários tabus sobre deficientes visuais.

É claro que além dos dois nós temos um pouco de foco nos sobreviventes de guerra, e é sempre bom revê-los. É um grupo peculiar que dá conforto ao leitor.

"O senhor me oferece conforto material e eu lhe ofereço coragem para se tornar o senhor de si mesmo?"

Comentei anteriormente sobre a questão de Vincent ser cego e acho válido ressaltar isso, pois em um mundo tão preconceituoso, é sempre importante que a literatura quebre barreiras. É isso que Mary faz, e faz em um Romance de Época, o que não é muito comum, já que nesse gênero nós fomos acostumados a ler sobre pessoas tão perfeitas e sem nenhum problema social de fato. É quase como se não existissem deficientes nessa época, o que é um erro. Então Mary definitivamente ganhou muitos pontos comigo só de falar sobre isso e melhor, falar sobre isso de forma brilhante.

Balogh tem uma escrita fascinante e muito madura, isso a diferencia das outras autoras, até das mais famosas. Pode ser sua idade ou não, a questão é que quando ela trouxe personagens tão importantes ela fez isso muito bem. Falar sobre os deficientes é importante e ter uma visão de que eles não são incapacitados é muito legal. Ademais, construir uma relação real é ainda mais relevante, tornou tudo mais humano. Posso dizer sem medo que Mary é uma das escritoras mais geniais que eu já li.

"Sonhos são desejos que provavelmente nunca serão realizados. Eu poderia fazer meus sonhos se realizarem. Na verdade, é o que pretendo."

Outra coisa que me conquistou foi o casamento por conveniência, meu amor maior em Romances de Época. Para mim não há nada melhor do que uma relação que começa forçada e termina em um belo romance.

Isso acontece porque a gente consegue sentir o casal, ver suas emoções, e é quase palpável o momento em que o gostar acaba e o amor surge. Nessa história, a gente ainda torce pelo casal, mas não para que eles fiquem apenas juntos, mas para que eles conquistem suas independências dentro de um casamento. Hoje em dia é muito normal falar sobre isso, mas na época era um escândalo, então a parceria feminista dos dois é a melhor parte para quem torce pela igualdade de gêneros.

"Sempre foi o ratinho que observava os absurdos da vida à sua volta, Sophia?"

Com muitos suspiros, amor e ansiedade para que eu tenha em minhas mãos o exemplar do próximo livro da série, eu acabo essa resenha. Com muito aperto no coração também, pois apesar de ser uma história bem simples, sem nenhuma reviravolta, é exatamente com essa simplicidade que os leitores são conquistados e passa a ser impossível largar a obra.

"Sinto-me responsável, desejo ajudá-la a encontrar uma solução e tenho os meios para solucionar. E nossos sonhos não precisam morrer completamente se nos casarmos. Pelo contrário. Vamos fazer algum tipo de acordo que seja benéfico para os dois no futuro próximo e que nos ofereça esperança em longo prazo."

Nota: 5/5 ♥ 
*Livro cedido em parceria com a Editora* 

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Um beijo e paz no coraçãozinho de vocês! ✩

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