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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Objetos Cortantes | Resenha

Foto: Gabriel Ferrari
Olá, pessoas? Tudo bem com vocês? 

Espero que sim.

Trago novidades: É com grande prazer que anuncio que agora nós temos um clube do livro! A ideia partiu do meu melhor amigo que não tem muito o costume de ler mas já não me aguenta mais me ouvir falando a respeito dos livros (É sério, eu já falei de Nova Jaguaruara com ele algo em torno de 72 vezes) e resolveu montar esse clube juntamente com alguns amigos próximos para que possamos ler coisas diferentes do que geralmente estamos habituados e para que ele possa se aproximar um pouco desse universo que tanto amamos e não vivemos sem. Cada membro do clube indicou duas obras, dos mais variados gêneros e estilos e as mesmas serão sorteadas ao longo do ano e lidas pelos membros para que posteriormente possamos discutir a respeito em um bate papo regado com muitas guloseimas. Como se o leitor que vos fala já não tivesse metas o suficiente para cumprir em 2019 (fora os compromissos da vida adulta), embarquei de cabeça já pensando em como faria para conciliar tudo. Felizmente, fui recompensado: Os ventos estavam ao meu favor e o livro sorteado para o mês de janeiro foi exatamente um indicado por mim e que já estava em minha lista particular de leituras para o ano e lemos Objetos Cortantes, da maravilhosa Gillian Flynn. Hoje trago para vocês as minhas impressões a respeito da obra, cuja adaptação da HBO faz um enorme sucesso. Lembrando que a Thalita Schinaider fez um post especial falando só sobre a série e caso tenham interesse, é só clicar aqui.

Objetos Cortantes - Gillian Flynn 

Título Original: Sharp Objects 
Autor(a): Gillian Flynn 
Editora: Intrínseca
Publicação Original: 2006
Gênero: Thriller, suspense 
Número de Páginas: 256
ISBN: 858057658X
Sinopse: Objetos cortantes narra o retorno da repórter Camille Preaker, recém-saída de um hospital psiquiátrico, à sua cidade natal para investigar o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Desde que deixou a pequena Wind Gap, no Missouri, oito anos antes, Camille quase não falou com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã que praticamente não conhece. Hospedada na casa da família, a jornalista precisa lidar com as memórias difíceis de sua infância e adolescência. E à medida que as investigações para elaborar sua matéria avançam, Camille passa a desvendar segredos perturbadores, tão macabros quanto os problemas que ela própria enfrenta.


Confesso que sempre tive uma imensa curiosidade em ler as obras de Gillian, conhecidas principalmente por suas ótimas adaptações para o cinema e televisão. Até então nunca havia lido nada da autora e apenas assisti ao filme de Garota Exemplar, que se tornou um dos meus filmes favoritos da vida. Resolvi, então, iniciar a leitura por seu romance de estreia, lançado em 2006 e trazido primeiramente para o Brasil pelo selo da editora Rocco sob o nome de Na Própria Carne (título bem condizente com a história, em minha opinião), porém, foi relançado pela editora Intrínseca em 2015 como Objetos Cortantes, tradução do título original e com uma jacket exclusiva com a capa da mini série estrelada por Amy Adams. Em Objetos Cortantes somos apresentados a Camille Preaker, que trabalha como jornalista em Chicago e precisa retornar a Wind Gap para investigar o desaparecimento e assassinato de duas jovens. O problema é que por falta de recursos, Camille precisa se hospedar na casa que outrora fora sua, porém agora a mãe divide com o padrasto e sua meia irmã de treze anos, Amma. A relação entre Camille e sua mãe, Adora é conturbada e bem esquisita e até hoje a jornalista luta para ter uma vida normal, apesar dos conturbados eventos ocorridos em sua infância.


 Eu culpo minha mãe. Uma criança criada com veneno considera dor um consolo.


A receita trazida por Gillian para o enredo de Objetos Cortantes é funcional e é tudo que nós leitores amamos em um livro: Tem suspense, crimes, mortes, drama familiar e uma reviravolta surpreendente. Em uma escrita crua e extremamente precisa, Gillian vai narrando e construindo sua história de uma maneira muito envolvente e sedutora. A personagem principal é ambígua e extremamente complexa, fugindo totalmente do padrão de "mocinha indefesa" que tanto vemos nos livros por aí. Apesar de seus traumas, Camille é livre, decidida e forte e, pelo que pude perceber, a construção de mulheres com personalidade forte se tornou marca registrada pela autora. Além de Camille, sua mãe Adora e sua meia irmã Amma foram brilhantemente construídas, a mãe, controlada e obsessiva, e a filha, perfeito reflexo da criação que recebeu. Eu devo dizer que eu a odiei desde sua primeira aparição e se tornou uma das personagens que mais detesto em minha vida, garotinha simplesmente insuportável. O drama familiar em Objetos Cortantes é tão bem escrito e desenvolvido que é capaz de desviar o foco do leitor do desparecimento das outras meninas para saber mais a respeito dos eventos do passada de Camille envolvendo sua outra irmã, Mariam. O livro é repleto de diálogos poderosos entre mãe e filha e frases que marcam muito pelo peso das palavras. Aos poucos vamos sendo apresentado aos fatos e conseguimos perceber que todos os traumas desenvolvidos por Camille ao longo dos anos se deu justamente pela criação que recebeu de sua mãe, que, dentre outras coisas, exercia (e ainda exerce, no caso de Amma), forte controle parental. Eu não posso falar mais muita coisa a respeito da relação entre as três pois coincidem diretamente com o desfecho da história, mas acreditem, vale muito a pena e é extremamente perturbador. 


- Sempre que as pessoas me dizem que eu era bonita, pensava em todas as coisas feias remexendo sob minhas roupas.


Não preciso dizer novamente que o livro é extremamente bem escrito e isso é só a cereja do bolo para coroar uma narrativa impecável. Objetos Cortantes levanta temas extremamente delicados e difíceis de serem discutidos, mas Gillian coloca o dedo na ferida e vai a fundo, trazendo uma narrativa carregada de simbologias que incomoda o leitor, tamanha verdade e crueldade com que os fatos são narrados. Obviamente, o foco do livro é a cobertura jornalística a respeito dos misteriosos eventos da cidade e a partir da metade do livro, Gillian imprime um ritmo frenético de acontecimentos e mantém o clima de tensão nas alturas, até que, nas páginas finais da obra, há a revelação sobre a identidade do assassino e suas motivações. Confesso que havia criado algumas teorias a respeito e o livro vai seguindo por esse caminho até virar a mesa novamente e comprovar que eu estava totalmente errado. Construir uma boa história de suspense que mantenha o leitor motivado e curioso e mesmo assim ainda ser capaz de supreendê-lo é extremamente difícil, mas para Gillian parece ser um exercício de jardim de infância, introduzindo pistas tão sutis que nem o leitor mais atento desconfia e, depois ao reler, você percebe que a verdade esteve sob seu nariz o tempo todo. Eu simplesmente amo essa sensação e até hoje poucos livros foram capazes de despertar esse sentimento em mim. 

 Tentei me lembrar de respirar direito, de acalmar minha pele. Mas ela queimava. Algumas vezes minhas cicatrizes pensam sozinhas.

Comecei o pé direito com Gillian e já coloquei em minha meta todos os outros livros da autora, incluindo Garota Exemplar. Mesmo tendo visto o filme, estou curioso para saber quais surpresas Gillian guardou apenas para o livro. Objetos Cortantes se tornou um dos melhores Thrillers que li nos últimos anos e ouso dizer que foi o melhor livro que li em janeiro, que traz tudo de melhor em uma narrativa de suspense, além de ótimos momentos de reflexão a repulsa mediante a sociedade em que vivemos e a forma em que as mulheres são tratadas e a visão que elas possuem de si próprias. Os pensamentos de Camille são muito crueis e extremamente humanos. Acima de uma obra de suspense, categorizo Objetos Cortantes como um drama de uma personagem marcada por terríveis traumas e não consegue enxergar seu valor. O fato de ser uma história de suspense (e muito bem contada, por sinal), torna a experiência ainda mais enriquecedora e envolvente. 

 Quando eu entro em pânico eu as digo a mim mesma em voz alta. Eu estou aqui. Não costumo sentir que estou. Sinto como se uma rajada de vento quente pudesse soprar em minha direção e me fazer desaparecer para sempre, nenhuma ponta de unha deixada para trás. Alguns dias acho essa ideia reconfortante.; em outros, ela me dá arrepios.


Nota: 4,5/5,0 


É isso, gente, eu espero imensamente que vocês tenham gostado do texto de hoje e me conta aqui nos comentários se você já leu o livro, viu a série, ou ambos. Confesso que agora que li o livro, tenho ainda mais vontade de assistir e irei fazer assim que possível. Mal posso esperar!



  1. Não li e nem assisti, mas na época da estreia muita gente elogiou, fiquei afim de ler tb e a sua resenha ... uau, me deixou interessadissima!
    Fico feliz pelo clube, parabéns! Participo de um em SP e recomendo, essa troca na experiencia de leitura é bem enriquecedora :)

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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    1. Ambas as obras são amplamente elogiadas pelo público e crítica e estou super curioso pra ver a série, espero que seja tão bom e seja capaz de me surpreender em vários aspectos. Depois conto pra você.

      E nosso clube do livro está indo à todo vapor! Realmente tem sido uma ótima experiência! Grande beijo.

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  2. Oiii, Gabriel!
    É sempre bom ler suas resenhas porque fico encantada e convencida a ler os livros, haha. Nunca li nada da autora nem vi nada também, mas que bom porque prefiro ler primeiro. Gostei muito da ideia do clube de leitura, aqui na minha cidade foi feito um, mas acabou se perdendo 😥 Sobre o livro, gostei muito da premissa, parece ser daqueles que nos tocam, e amo personagens bem construídas e fortes, dá um gás pra narrativa. Também gosto de livros que tratam de temas delicados e que parecem ser um tapa na cara do leitor, haha.

    Um abraço,
    eusouumpoucodecadalivroqueli.blogspot.com.br

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    1. Olá, Mirelle! Ahhh, fico feliz que goste das resenhas, eu tento muito trazer texto bem bacanas e fico feliz que as dicas ajudam de algo. Pois então comece por Objetos Cortantes, vai ser uma espécie de rito de passagem pela escrita de Gillian. No começo a coisa demora um pouco a acontecer, mas eu garanto, vale a pena!

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  3. Super legal a ideia do clube do livro de vocês! E que legal que começou bem! Já tentei fazer isso com meus amigos algumas vezes mas nunca conseguimos nem uma reunião. xD Dessa autora só assisti a adaptação cinematográfica de Garota exemplar e gostei muito. Ainda quero ler algum livro dela. Não sabia que esse tinha sido publicado com outro nome aqui antes.

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    1. Sim, estamos gostando muito do clube, além de ser um hábito super saudável! Já temos o livro para fevereiro e estamos todos muito animados.

      Garota exemplar é maravilhoso demais, tenho muita vontade de ler o livro, assim como outros títulos da autora. Com certeza lerei esse ano!

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  4. Ah, um clube de leitura sempre é uma boa pedida, além de incentivar mais a leitura, ter com quem discutir é a melhor parte! Nunca li nada da Gillian, e mal vejo a hora de conferir seus títulos, as opiniões que vejo a respeito da sua escrita são bem positivas. Pela sua resenha ficou nitído como a obra te fisgou, fiquei bem curiosa.

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  5. Sim! Eu já havia tentado fazer um clube um tempo atrás, mas não deu certo, porém estou super animado e tenho certeza que vai dar certo.

    Obrigado por seu comentário e quando ler algo da autora, conta aqui pra gente! Grande beijo.

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  6. Oi,tudo bem ?
    Confesso que fui logo assistindo a série e só depois descobri que apesar da narrativa e pegada serem parecidos, alguns fatores são bastante diferentes...como na série shippei um casal que no livro jamais torceria para rolar, tem personagens que dá aquele ranço básico kkkk. Gostei bastante da Camille, achei uma história forte, assim como a história as vezes te dá uma sensação de "parada" ela te surpreende com a conclusão, vale a pena conhecer a Gillian gosta de escrever mulheres fortes e que podem chegar aonde querer.

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