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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Contagem Regressiva | Resenha

Foto: Cecília Justen

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Falar sobre Ken Follett é sempre um desafio para mim, tanto por causa do autor (que é um dos meus favoritos, mas tenho ressalvas a fazer) quanto pelo livro em questão. Follett escreve no meu gênero literário favorito, o Romance Histórico, e foca no Século XX boa parte do tempo, seja período das Grandes Guerras ou Guerra Fria, este último é o caso de Contagem Regressiva, um livro eletrizante que vai trazer ansiedade para o seu corpo enquanto você não tiver as respostas. 

Contagem Regressiva - Ken Follett 

Sinopse: Certa manhã, um homem acorda no chão de uma estação de trem, sem saber como foi parar ali. Não faz ideia de onde mora nem o que faz para viver. Não lembra sequer o próprio nome. Quando se convence de que é um morador de rua que sofre de alcoolismo, uma matéria no jornal sobre o lançamento de um satélite chama sua atenção e o faz desconfiar de que sua situação não é o que parece. O ano é 1958 e os Estados Unidos estão prestes a lançar seu primeiro satélite, numa tentativa desesperada de se equiparar à União Soviética, com seu Sputnik, e recuperar a liderança na corrida espacial. À medida que Luke remonta a história da própria vida e junta as peças do que está por trás de sua amnésia, percebe que seu destino está ligado ao foguete que será disparado dali a algumas horas em Cabo Canaveral. Ao mesmo tempo, descobre segredos muito bem guardados sobre sua esposa, seu melhor amigo e a mulher que ele um dia amou mais que tudo. Em meio a mentiras, traição e a ameaça real de controle da mente, Luke precisa correr contra o tempo para conter a onda de destruição que se aproxima a cada segundo.


Foto: Andrea Justen

Páginas: 320 | Autor(a): Ken Follett | Editora: Editora Arqueiro | Gênero: Romance Histórico 

Antes de começar quero falar novamente que esse é um Romance Histórico, é claro que a leitura se torna mais prazerosa se você gostar de história, ou pelo menos o período retratado. Entretanto, Ken Follett mistura o gênero com o policial, o que pode empolgar ainda mais quem não gosta de livros com história como plano de fundo. Ademais, a leitura se complementa se você entender um pouquinho sobre, nesse caso, Guerra Fria. 


Luke acorda misteriosamente em uma estação de trem, mas ele não tem ideia do motivo. Não tem nenhuma memória, então não sabe o que aconteceu no dia anterior e em toda sua vida, sua única pista é de um homem que o chamara de Luke, porém, nem essa certeza ele possui. Ao passar o dia, ele percebe que possui dons para áreas exatas, fala língua estrangeira e alguns homens estão o espionando. Assustado, decide que sua única solução é descobrir o que aconteceu, mas isso o levará para mais dúvidas, principalmente quando ele reencontra o amor de sua vida e descobre que é casado com outra. Além disso, Luke se surpreende ao perceber que o foguete prestes a ser lançado, e que fará com que os Estados Unidos passasse a concorrer pelo espaço com a União Soviética, teve total influência sua e ele é uma das pessoas mais importantes da corrida espacial. 

Entre mortes e fugas, Luke precisa entender toda a sua vida em três dias e ainda salvar a missão que mudará o rumo dos Estados Unidos e, por consequência, o rumo da humanidade. 

"O que havia acontecido na noite anterior? Não conseguia lembrar. O medo histérico começou a retornar quando percebeu que não conseguia se lembrar de nada."

Como é gostoso falar sobre um livro que vai te agradando aos poucos e quando você termina não quer largar mais. Contagem Regressiva foi uma relação de amor e ódio, porque eu sentia a necessidade de saber sobre os mistérios, principalmente os que envolvia Luke, mas Follett só foi entregar tudo para o final, mas falarei melhor mais para frente. 

Luke é quem você confia, o problema é que para nós, seres humanos, a nossa memória é tudo, logo, Luke não tem nada, então como confiar nele? Entretanto, é impossível não se afeiçoar por ele, ainda mais quando o autor constrói o passado do personagem com o presente na medida em que ele vai descobrindo sobre sua vida. 

Isso tudo vai acontecendo em um cenário muito importante para a história: a Guerra Fria. Uma guerra ideológica entre comunismo da União Soviética e capitalismo dos Estados Unidos. Atualmente, alguns historiadores acreditam que a gente ainda passa pela Guerra Fria, mesmo com a queda do símbolo (o Muro de Berlim), mas é óbvio que a gente pode afirmar que esse período nos dá influência direta na sociedade atual. 

Esse livro nos traz a pergunta: e se a União Soviética tivesse ganhado a Guerra? Além disso, a gente entende o quão importante a corrida espacial foi, por isso é muito legal o que Ken Follett faz em todo o seu livro. Ele também consegue ligar as Guerras Mundiais com a Guerra Fria, o que é interessante já que muitas pessoas não conseguem associar a história como algo continuo. E ele ainda traz personagens incríveis. 

Foto: Andrea Justen

Quem é o vilão em uma Guerra? Pergunta difícil, não é?! Imagina você ler um livro em que se passa nesse período, é impossível saber em que lado você está quando o lado do bem não existe. Em uma Guerra cada um luta pelo seu lado, pelos seus ideais, e é isso que o autor traz para o leitor. 

Nós temos Luke, que com certeza é americano, mas pode estar do lado da União Soviética como um espião, assim como os outros personagens. É tudo um mistério, e o maior foco é mostrar que seu ideal é tudo para você, mas isso não quer dizer que você seja uma pessoa ruim por ser capitalista e não comunista, e vice-versa. 

Além disso, é impossível não gostar e torcer por cada um, principalmente se for Luke, porque o maior foco da trama está nele e a maior vontade é que ele descubra sobre sua vida, porque aí nós iremos descobrir também. 

Personagens femininas também se destacam, sendo fortes e mostrando que as guerras do Século XX não foram protagonizadas apenas por homens. 

Ademais, Follett tende a romantizar a relação de Luke com Billie, o amor da vida dele, e é muito legal porque foge um pouco da tensão que a obra carrega. Isso porque parece que Ken Follett ligou no 220 e decidiu escrever sua história, de tão eletrizante que ela é. 

O livro é muito ágil, mas não achem que isso seja um problema ou que muitos assuntos passam depressa, isso não acontece de forma alguma. A história só é veloz e muito emocionante, por isso você se empolga tanto com a leitura.

Foto: Andrea Justen

Ken Follett, como eu disse anteriormente, é um dos meus autores favoritos, eu amo sua escrita e acredito que é a importância que ele dá para os detalhes que faz com que suas obras sejam completas. Não consigo achar erros, mas minhas ressalvas estão relacionadas com a "imparcialidade" dele. Em alguns momentos dessa obra eu senti que ele focou muito em um lado da história e fez com que ela parecesse a certa, mas é a certa para quem? Não sei se vocês conseguem entender meu ponto. 

Felizmente, isso não é algo que tenha me incomodado, porque no total a obra é tudo o que você precisa para entender a Guerra Fria ao mesmo tempo em que você ganha muitos ensinamentos para a vida. 

"Mais uma vez Luke pensou se estava imaginando coisas. Tinha acordado num mundo desconcertante onde qualquer coisa podia ser verdade."

A obra é narrada em terceira pessoa, com maior foco no protagonista, e se intercala entre presente e passado. Esse é um lado ótimo para o aspecto histórico do livro, porque ao mesmo tempo em que temos a Guerra Fria nós também temos um pouco do contexto da Segunda Guerra Mundial. 

A trama se desenrola aos poucos. Um ponto muito interessante do autor é que ele nunca vai revelar o grande mistério como uma parede que aparece em sua frente, na verdade, ele encaminha o leitor para que ele ache que descobriu tudo sozinho, então toda a solução dos problemas vão sendo apresentadas aos poucos e você não vai se assustando, mas sim presumindo o que irá acontecer. A trama, no entanto, não é previsível, Follett só tenta fazer com que o leitor pense para que ele dê as respostas corretas e não o livro, e eu amo isso. 

Esses dois pontos resultam em um final que é intercalado entre a narração em terceira pessoa de cada personagem, nós temos muitos acontecimentos ao mesmo tempo e isso vai dando velocidade, mesmo que você já saiba o que irá acontecer.

Foto: Andrea Justen

Terminei a leitura com uma sensação de algo completo e que se finalizou da melhor maneira possível, por isso gosto tanto do Follett e de suas histórias. Não foi uma obra grande, mas todos os aspectos necessários para que um Romance Histórico existisse estavam presentes nas páginas. 

Indico para todas as pessoas sem nenhuma restrição. É muito legal que você goste de história, mas mesmo que esse não seja o caso, a obra é tão energizada que vale a pena só para sentir um pouco da emoção do que é viver em um período tão importante para o mundo.

"– A guerra me ensinou que nada é tão importante quanto a lealdade.
– Que besteira. Você ainda não aprendeu que, quando as pessoas estão sob pressão, todas estão dispostas a mentir.
– Até para quem elas amam?
– Mais ainda para quem amam, porque se importam demais com essas pessoas. Por que você acha que dizemos a verdade aos sacerdotes, psiquiatras e estranhos que conhecemos no trem? Porque nós não os amamos, por isso não nos importamos com o que eles porventura pensem."

Nota: 5/5 ♥ 
*Livro cedido em parceria com a Editora*

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Um beijo e paz no coraçãozinho de vocês! ✩

  1. Confesso que não costumava ler tantos romances históricos, mas adorei a experiência. Amo tramas ambientadas em cenários de guerras. Conhecia o autor, mas não tinha visto ainda esse título, gosto quando a narrativa é detalhada, me sinto ainda mais conectada a trama. Adorei a indicação ♥♥

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    1. É muito legal porque a gente tem outro tipo de contato com a história, sem ser nos livros didáticos. Obrigada :)

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  2. Oie

    Eu adoro os livros do Ken Follet, acho sempre leituras tão intrigantes e o fundo histórico chama muito minha atenção.
    E essa relação de amor e ódio também me instiga demais. Sinal que mexeu mesmo com nossos sentimentos.
    Esse eu ainda não li, mas está na lista.
    Adorei a resenha.

    bj
    Fe

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    1. Ei, Fê!

      O autor é maravilhoso, não é?!
      Você vai amar o livro, depois me conta o que achou.
      Fico muito feliz em saber que você gostou da resenha :)

      Beijos!

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  3. Oi, Cecília.
    Eu amo romances históricos, e sei que estou em falta com o gênero por não ter lido nada do Ken Follet ainda, faz anos que estou pretendendo começar por Os Pilares da Terra, mas o momento ainda não chegou. Agora me vejo obrigada a incluir Contagem Regressiva na sequência, porque AMEI essa premissa. Romance histórico + policial? Coisa boa deve sair dessa junção, e sua resenha está aí para confirmar isso. Parabéns pela resenha, adorei a recomendação. Beijos!

    http://abducaoliteraria.com.br

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    1. Ei, Gisele!

      Você acredita que eu sou louca pelo autor, li vários livros, mas não consegui pegar "Os Pilares da Terra" ainda? Por ser um livro grande, detalhado e cheio de informações eu tenho medo de não gostar se eu acabar lendo de qualquer jeito, como estou sem tempo prefiro não arriscar. Mas me conta o que você achou depois de ler :)
      Todos os livros do autor tem essa pegada que junta os dois gêneros, por isso eu gosto tanto!
      Muito obrigada, querida :)

      Beijos!

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  4. Não li nada do autor ainda, mas fiquei muito interessada na leitura: romance histórico + policial = amor demais envolvido. Sempre gostei muito de história, tenho a impressão que vou me encantar com as obras dele. Obrigada pela dica 😘

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    1. O autor sempre junta esses dois gêneros, por isso é tão interessante.
      De nada, depois me conta o que achou :)

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  5. Olá, Cecília,

    Caracas! Perdoe-me o palavreado (!), mas sabe quando você começa lendo uma sinopse para descobrir mais sobre o livro sem muito interesse, e quando termina já se pega entrosado pela história? Não sei se estou criando expectativas em cima de uma sinopse daqueeelas, mas acho que eu iria me esbaldar nessas 320 páginas. Amei essa ideia de misturar fatos históricos reais, porque curto bastante aprender sobre eles enquanto leio ficção, sabe? E pela sua resenha, acho que eu não me decepcionaria mesmo.

    P.S.: Entendo o que quer dizer sobre o autor e sua imparcialidade. Ao mesmo tempo em que ele parece puxar para o ponto de vista dele, acredito que contra fatos históricos não precisa de mais argumentos, não é mesmo? A não ser que nos tenham contado histórias erradas, hahah.
    P.S.: Suas fotos ficaram lindas, e que resenhaço, viu? Parabéns!!

    Jessie do blog Cacto Florido

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    1. Ei, Jessie!

      Sei exatamente qual é essa sensação e fico muito feliz em saber que você sentiu haha Não precisa ficar com medo da história, se joga, com o autor é difícil se arrepender. Eu também amo romances históricos por isso, Ken Follett cria os momentos históricos de forma real e como uma boa amante de história posso dizer que são de fato verdadeiros.

      Gostaria muito de comentar sobre o ponto de vista dele, mas tenho medo de dar spoiler. Adoraria conversar com você depois, caso você faça a leitura, acho que teríamos muito assunto.

      Muito obrigada, querida :)

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  6. Que super resenha, adorei! Por muito tempo eu via algo que tinha essa coisa mais histórica e já revirava os olhos, mas isso tem mudado. Hoje em dia acho importante a gente conhecer melhor períodos históricos importantes porque mostra um background para o que vivemos hoje, né? E acho que a gente ainda carrega muito do sentimento da guerra fria hoje em dia mesmo. Vemos isso quando vemos tanta polarização na política, por exemplo, por mais que existam outros caminhos, não é assim que as pessoas enxergam. Adorei a proposta do livro e fiquei bem curiosa!

    Beijos,
    Isa
    taglibraryisa.blogspot.com

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    1. Fico tão feliz em ler isso :)
      Exatamente, é super importante conhecermos o passado para entender o presente e começarmos a supor o futuro, a história está sempre se repetindo. Quem não gosta muito de acompanhar os períodos por livro didático é muito legal que tenha o contato com essas ficções, então indico bastante.
      Como disse durante a resenha, alguns historiadores acreditam que estamos vivendo o período, e eu não discordo muito deles não haha

      Beijos!

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  7. Ah, Cecília, como amo suas resenhas. Eu tenho Os Pilares da Terra aqui e ainda não consegui ler, e já me apaixonei por esse outro livro do Ken. Ele parece perfeito em sua escrita, parece colocar os elementos certos numa história. Eu amo romances históricos e tenho certeza que iria gostar de Contagem Regressiva, ainda mais por todo contexto e os elementos de mistério que o autor coloca. Vou anotar aqui pra compra futura.
    Beijos

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    1. Ah, querida! Fico tão feliz em saber disso!
      Olha, eu sou louca para realizar a leitura de "Os Pilares da Terra", mas como é um livro que exige tempo, tenho medo de ler apressadamente e não conseguir simpatizar com a história.
      Ele é um dos meus autores favoritos, tanto dentro desse gênero quanto no geral.
      Anota sim, quando terminar a leitura me conta o que você achou :)

      Beijos!

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