Perdão | Texto

31 de dez de 2018
Quando dizem que é preciso amar a si mesmo antes de amar qualquer outra coisa, as pessoas estavam falando a verdade. E para mim, reconhecer isso fica cada vez mais fácil. Pois é, depois de anos escrevendo sobre aleatoriedades – que eu descobri não serem tão aleatórias assim - dizendo que o mundo é babaca, eu to aqui para pedir perdão. Não porque o mundo não é babaca, ele de fato é, mas há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia, não é Horácio?! Então eu estou aqui pela primeira vez para falar sobre perdão.

 Existe um gatilho para que esse seja o texto de final de ano, mas existem momentos durante o ano que estão por detrás de tudo isso. Eu não sei vocês, mas para mim 2018 foi uma loucura de autoconhecimento e descobertas que destruíram meu coração. Chorei tanto que não sei como não desidratei, ri tanto que não sei como não terminei com a boca do curinga, xinguei tanto que não sei como a minha língua não caiu e, graças a Plutão, escrevi tanto que não sei como meus dedos não sangraram. Mas isso tudo por quê? Para quê? Por qual motivo? Bom, eu não sou a melhor pessoa do mundo para falar sobre perdoar e jorrar sentimentos, mas teve um fatídico dia em que tudo mudou! Sim, um mísero dia, uma pequena conversa e tudo mudou! (Foi com a psicóloga, mas a gente ignora essa parte.) Não que eu tivesse ido dessa para a melhor, ou que eu parei para pensar e revivi a minha vida. As coisas, infelizmente, não funcionam assim, mas eu entendi que aquela descoberta que eu fiz em algum dia de novembro, mudou a minha vida toda. Mudou meus pensamentos e eu entendi que tá todo mundo muito mal e tá todo mundo muito errado.

A palavra perdão para mim já existia antes de 2018, porque eu precisei por muito tempo me perdoar, principalmente por 2016, um ano completamente desnecessariamente necessário na minha vida. Foi quando eu tive um rompimento no músculo e precisei parar de dançar, foi um terror, e eu precisei lidar com isso, porque a dança era “o ar que eu respiro”, era meu alimento. Essa minha loucura de amar intensamente os passos fez com que eu aumentasse a minha carga horária de aula em quase 90% em menos de uma semana, e vocês já sabem o final da história. Pois é, eu precisei me perdoar ali, e em todos outros momentos em que minha ansiedade decidiu dar as caras. Mas também foi nesse ano que eu comecei um ciclo, que fecho esse ano (deve ser por isso que eu estou aqui). Duros três anos em que eu precisei me reinventar. A gente tem cabeças diferentes e pensamentos diferentes em momentos diferentes, e isso é muito bom.

2018 foi isso, foi o que eu precisava para lidar comigo mesma e me entender, de verdade. Eu sei que eu sempre agradeço vocês no final do ano, porque vocês me resgataram do poço, mas eu farei isso em outro texto. Dessa vez isso é sobre perdão, e eu não quero falar para que depois das sete ondinhas vocês liguem para alguém e falem o quanto estão arrependidos, isso não é sobre arrependimento, muito menos sobre falsidade. A questão não é ser legal agora, a questão é ser o melhor sempre, mesmo que isso seja uma bosta na boa parte do tempo, e eu não digo isso falando sobre o próximo, é sobre você mesmo, porque a gente cresce e se a gente não lidar com as nossas merdas agora, vai todo mundo terminar como velhos deprimidos, além de nos transformarmos em pessoas assustadoras com dilemas inúteis.

Eu não tenho ideia do que eu farei depois das minhas ondas, eu estou completamente no escuro, um escuro amedrontador, minha vontade é correr e voltar a dormir na cama com a minha mãe, mas eu estou experimentando uma liberdade interna que é maravilhosa e, nesse momento, eu não trocaria isso. Ainda preciso lidar com mais um bando de coisa, mas tá tudo bem. E eu espero que esteja tudo bem com vocês também, mas se não tiver, eu prometo, o escuro é brilhante e você pode iluminar tudo, mas se perdoem por vocês mesmos, isso sim é libertador.

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