O Seminarista | Resenha

3 de dez de 2018
Foto: Cecília Justen

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Vamos terminar a segunda-feira com resenha de um clássico nacional e uma novidade incrível: dezembro o blog terá postagens (quase) todos os dias! Sim, essa notícia é real. Isso não estava planejado, mas como precisei abandonar esse cantinho para me destacar em outras áreas, acabou que fiquei muito enrolada com as postagens, principalmente aquelas de parcerias, então, para compensar e terminar o ano de um jeito maravilhoso, aparecei muitas vezes por aqui.

E hoje o escolhido foi mais um clássico, porque eu estou amandando falar com vocês sobre os meus queridinhos. Escrevendo sobre queridinho, é claro que Rubem Fonseca não está aqui sem razão. Um dos autores que chegou aos poucos no meu coração e eu ainda tenho muito que descobrir, mas a cada leitura me apaixono mais. Então vem comigo que eu mostro para você o seminarista, um assassino que decidiu se aposentar, mas seu passado não irá aceitar isso. 

O Seminarista - Rubem Fonseca

Sinopse: Para o protagonista de O Seminarista, matar não causa remorso, mas também não causa prazer. É apenas seu trabalho, que lhe permite se dedicar àquilo que realmente ama: livros, filmes e mulheres. Não quer saber quem é a pessoa que será eliminada, nem mesmo lê os jornais no dia seguinte. Quando, no entanto, decide que já é hora de abandonar a profissão, descobre que não é tão imune aos efeitos de seus trabalhos e de suas escolhas como acredita ser, e tem que enfrentar fantasmas de um passado que pensar ter superado.

Páginas: 184 | Autor(a): Rubem Fonseca | Editora: Nova Fronteira | Gênero: Romance Policial


José, o especialista, trabalha para o Despachante e ele diz quem será o freguês, assim Zé pode matar com apenas um tiro na cabeça, para que ninguém sofra dor e não tenha sentimentos. Além disso, todos os dias ele se recusa a saber alguma notícia do mundo para que não descubra sobre quem acabara de matar. Entretanto, sua vida de matador o cansa e a aposentadoria parece ser o mais interessante, principalmente quando ele conhece Kirsten, sua futura namorada. Com seu novo estilo de viver as coisas parecem mais tranquilas, mas é ignorando seu passado que descobertas serão feitas e José tem um novo desafio: matar, mas matar quem quer ele morto. 

"Coloquei sob a camisa a minha Beretta com silenciador e toquei a campainha da casa do freguês. Para sorte minha quem abriu a porta foi o Papai Noel
'Entra, entra', ele disse, 'feliz Natal!'
'Faz Ô! Ô! Ô! pra mim', pedi, enquanto constatava a berruga ao lado do nariz.
'Ô! Ô! Ô!', ele fez.
Dei um tiro na sua cabeça. Sempre dou um tiro na cabeça."

Um livro para poucos, com certeza, mas esses poucos sairão extremamente satisfeitos com essa obra magnífica. 

Rubem Fonseca vem se mostrando para mim um grande escritor e uma excelente surpresa. Com sua escrita ácida e curta, a obra ganha espaço no seu coração assim como José, nosso assassino. É frustrante estar falando sobre o especialista como alguém do bem, de forma alguma ele é, mas é uma personagem que vai abrir espaço na leitura e enquanto ele mata, você alimenta aquilo como algum ruim, mas quando querem matá-lo é impossível não torcer para a vitória do protagonista. 

Muitos comentários apontam o livro como um dos piores do autor, não sei se posso afirmar o mesmo, já que não conheço muitas histórias, mas sei que as críticas se voltam para as pontas soltas da obra, que, no meu caso, não achei. Não estou afirmando que sou especialista na área literária, porém, acredito que muitos acham que as falhas existem porque tudo é muito fácil para os personagens, matar e se sair impune dos crimes, mas convenhamos, isso não é uma crítica a nossa realidade? Ademais, todos os criminosos da história usam terno, são brancos e ricos, parece extremamente contraditório com o que assistimos na televisão e, ouso dizer, com o que lemos e vemos em produções nacionais. Então toda a facilidade de pegar em uma arma e "dar um tiro na cabeça", como José ama afirmar, existe sim e, infelizmente, não apenas na ficção. 

"Como no lindo soneto do Camões, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... Chega uma época em que procuramos outros caminhos entendeu? O Sêneca tem uma boa frase sobre isso, alia tentanda est via."

Para quem não sabe, essa foi uma leitura obrigatória do exame de redação do vestibular 2019 da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Todos os anos o tema da redação se volta a algum tema dentro do livro, e dessa vez foi basicamente sobre se é justificável cometer um crime como vingança de outro crime. Essa é uma pergunta relevante e presente dentro da história, pois muitas mortes acontecem por vingança, desde as de vontade do especialista até as que ele é pago para realizar. 

Alguns crimes dentro dessa obra vão de "acerto de dívidas" até pedofilia e necrofilia, e Rubem Fonseca escreve sobre todos os temas de forma crua, direta e sem caminho para que o leitor idealize a ação. Sua escrita é aterrorizante e excitante, é impossível começar sua história hoje e não querer terminar o mais rápido possível.

O livro é bem curto (menos de 200 páginas) e a leitura fluí muito bem, o que é ótimo para quem não tem o hábito de ler livros clássicos da literatura brasileira. Rubem Fonseca se aproxima bastante da linguagem atual, o que torna tudo muito mais fácil. Além disso, todos os personagens são carismáticos e até quem não gosta de José acaba se afeiçoando por seu gosto literário, que é incrível e rende várias páginas com dicas sobre histórias nacionais e internacionais. 

"Sei que o ódio é um surto de insanidade, como disse Horácio, ira furor brevis est, mas ninguém esta livre dele."

Nota: 5/5 ♥ 

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Um beijo e paz no coraçãozinho de vocês! ✩

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