O Buraco da Agulha | Resenha

15 de dez de 2018
Foto: Gabriel Ferrari
Olá, pessoas, tudo bem?

Finalmente larguei um pouquinho os livros de terror para trazer a resenha de um romance histórico ambientado na 2ª Guerra Mundial chamado "O Buraco Da Agulha", do escritor britânico Ken Follet. A obra é uma das mais conhecidas do autor e 9 entre 10 leitores amantes do tema recomendam o livro. Em 2018, a obra completou 40 anos desde seu lançamento e é um best seller mundial. O livro recebeu uma nova (e belíssima) capa pela Editora Arqueiro, que gentilmente nos enviou uma cópia para trazermos a resenha aqui para o cores. Mais uma vez, obrigado, Arqueiro, vocês são demais!


O Buraco da Agulha - Ken Follett
Título Original: Eye of the Needle
Autor(a): Ken Follett
Editora: Editora Arqueiro 
Ano de Publicação: 1978
Gênero: Thriller, Suspense, Romance histórico 
Número de Páginas: 336
ISBN: 9788580418811
Sinopse: O ano é 1944. Os Aliados estão se preparando para desembarcar na Normandia e libertar os territórios ocupados por Hitler, na operação que entrou para a história como o Dia D.Para que a missão dê certo, eles precisam convencer os alemães de que a invasão acontecerá em outro lugar. Assim, criam um exército inteiro de mentira, incluindo tanques infláveis, aviões de papelão e bases sem parede. O objetivo é que ele seja fotografado pelos aviões de reconhecimento germânicos.O sucesso depende de o inimigo não descobrir o estratagema. Só que o melhor agente de Hitler, o Agulha, pode colocar tudo a perder. Caçado pelo serviço secreto britânico, ele deixa um rastro de mortes através da Grã-Bretanha enquanto tenta voltar para casa.Mas tudo foge a seu controle quando ele vai parar numa ilha castigada pela tempestade e vê seu destino nas mãos da mulher inesquecível que mora ali, cuja lealdade, se conquistada, poderá assegurar aos nazistas a vitória da guerra.Na obra-prima que lhe garantiu, há 40 anos, a entrada no cenário da literatura, Ken Follett fisga o leitor desde a primeira página, com uma trama repleta de suspense, intrigas e maquinações do coração humano.

Ken tinha apenas 27 anos quando finalizou a escrita de O Buraco da Agulha. Apesar de ter tentado por diversas vezes escrever outras histórias de aventura e thrillers policiais, nenhuma despertou o interesse das editoras. Com O Buraco da Agulha, Ken ganhou sua chance, mas nunca em sua vida imaginou que o livro iria tomar proporções meteóricas e que, 40 anos depois de seu lançamento original, o livro seria considerado um clássico moderno ao se tratar de Segunda Guerra Mundial. Segundo o próprio autor:

Assim que terminei de escrever O buraco da agulha, tive uma sensação forte de que havia realizado algo bom o bastante para pagar minha hipoteca por pelo menos uns dois anos. Felizmente, calculei mal. (...). Eu tinha 27 anos quando escrevi O buraco da agulha. Lendo o livro agora, fico surpreso e orgulhoso por ter sido capaz de fazer algo tão bom quando era tão jovem. - Ken Follet em Nova Introdução Comemorativa aos 40 anos de O buraco da agulha.

Histórias ambientas durante a Segunda Guerra não são novidades no mundo literário. Em minha opinião, amo romances históricos, pois apesar de uma época extremamente triste e complicada (e que não está tão distante de nós, se analisarmos), acredito que há sempre algo novo para ser explorado e estudado. Ao meu ver, a única maneira de evitar que os erros cometidos no passado sejam cometidos novamente é através do estudo e livros com essa temática desempenham grande papel ao apresentar ao leitor os dois lados de uma mesma história.

"Ambientado na Segunda Guerra Mundial, este livro de espionagem está entre os melhores do gênero. Uma obra-prima, com um clímax inesperado e arrebatador." - Publishers Weekly

Como a própria sinopse indica, em O Buraco de Agulha somos apresentados a uma trama envolvendo espionagem e uma estratégia super ousada utilizada pelos Aliados (União Soviética, EUA, o Império britânico e a China), para vencer a guerra contra a Alemanha e desocupar os territórios tomados pelo nazistas. A maneira com que Ken mescla a ficção e os eventos reais é impressionante, utilizando um dos marcos mais importantes da Segunda Guerra Mundial, o dia em que os Aliados desembarcaram na Normandia e mudaram o rumo da guerra. Esse dia ficou conhecido como Dia D e no livro é montada uma verdeira "produção hollywoodiana" para enganar os nazistas e fazerem acreditar que a invasão será em outro lugar. Bases de mentira, aviões de papelão, tanques infláveis e exércitos falsos foram utilizados para que o serviço de inteligência alemão capturasse tais imagens a fim de traçarem uma estratégia errada. Contudo, toda a operação corre sério risco de fracassar pois o plano foi descoberto por ninguém menos que o "Agulha", o melhor espião alemão e homem de confiança do Fuhrer. Em uma tentativa frenética de capturar o espião com o objetivo de fazer com que a operação dê certo, o governo britânico entra em um verdadeiro jogo de cão e gato para capturar Henry Faber, o Agulha.

Em minha opinião, não é um livro muito fácil de ser lido. Foi o meu primeiro contato com o autor, mas foi bem difícil me conectar à história. É necessário estar altamente concentrado e focado na história, cujo contexto histórico é amplamente explorado ao longos das mais de 300 páginas em que a história se passa. Como dito, Ken consegue mesclar fatos verídicos com a ficção de uma maneira muito satisfatória e é quase impossível identificar furos no roteiro. Alguns personagens são densos e muito bem explorados, outros, nem tanto. O Agulha é a melhor parte do livro e ficava ansioso para ler capítulos sobre ele. Sua inteligência, sagacidade e capacidade de se camuflar e desaparecer sem deixar rastros ou vestígios fazem jus ao posto de "homem de confiança de Hittler", e consegue estar sempre um passo a frente dos investigadores do MI5, serviço britâncio de inteligência contratado para descobrir a verdadeira identidade do Agulha e impedir que a verdade chegue até às mãos dos nazistas. Em contra partida, Lucy e David, personagens que também são explorados na trama e que fazem parte da narrativa, são extremamente chatos e mal construídos e odiei desde a primeira aparição dos dois no livro. O livro possui algumas histórias paralelas que irão eventualmente colidir a medida em que a história se avança. Citei Lucy e David pois após uma tentativa de fuga do Agulha, ele sofre um acidente e é levado até a casa em que o casal vive isolado em uma ilha na tentativa de manterem-se seguros durante o período de guerra. 

É necessário estar atento aos mínimos detalhes durante a narrativa, pois Ken vai alternando a ordem da história entre os personagens, cada um apresentando seu ponto de vista sem necessariamente encerrar um capítulo e por diversas vezes me senti perdido, pois não sabia mais quem estava narrando a história, porém, um fato que vale a pena destacar, é que Ken escreve com imparcialidade, sem deixar claro quem é o mocinho e o vilão. Conhecer a história a partir dos mais diversos personagens e seus pontos de vista traz ótimas discussões e reflexões a respeito do que é certo e errado, as motivações e crenças das nações. Não há muito mais que eu possa falar a respeito da história, pois tudo irá se tornar um grande spoiler e talvez estrague o clima de tensão criado por Ken. No final da leitura estava extremamente agoniado pois precisava mais do que nunca saber se o plano arquitetado pelos Aliados daria certo ou se de alguma forma, o Agulha iria conseguir avisar Hittler das intenções dos britânicos. Devo confessar que poucos livros me deixaram com esse sentimento de incerteza com relação ao seu final. Qualquer coisa poderia acontecer.

Os pontos fracos de O Buraco da Agulha são poucos, mas consideráveis: Pelo menos eu tive muita dificuldade em me conectar com os personagens e as histórias contadas; Em alguns momentos também me senti cansado com a narrativa, que, apesar de muito profissional e bem escrita, é pouco objetiva. O autor explora muito o uso de flashbacks e outros recursos para dar profundidade a história, contudo, em alguns momentos se torna um pouco cansativo e repetitivo e acredito que a história perde um pouco seu ritmo, porém, é uma leitura totalmente válida e indico para todos, principalmente por conta das reviravoltas e plot twists que credenciam O Buraco da Agulha como um verdadeiro thriller histórico. Fiquei muito feliz de finalmente ter lido um dos grandes clássicos ao se tratar de leitura de guerra; Pelo que pude perceber, Ken adora utilizar a espionagem na construção de suas histórias, geralmente ambientadas durante a 2ª Guerra. Como disse lá em cima, não morri de amores pelo livro, mas consigo reconhecer pontos positivos e que me fariam ler alguma outra obra do autor eventualmente.


* Livro cedido em Parceiria com a Editora Arqueiro*

Nota: 3,5/5,0





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