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Blog Conheça o novo Cores 07/02/2019

Caixa de Pássaros | Crítica


Olá, pessoas! Tudo bem com vocês?

Nunca em minha breve estadia aqui no Cores havia escrito um texto tão rápido em um intervalo de tempo tão curto. Digo isso pois hoje é sábado, dia 22 de dezembro e estreou na noite de sexta feira a mais nova produção da Netflix chamada Caixa de Pássaros, adaptação cinematográfica da obra lançada em 2015 pelo escritor americano Josh Malerman. O livro atingiu o topo dos mais vendidos nos mais diversos países e buscando embarcar nessa onda de sucesso, nossa querida Netflix contrata ninguém menos que Sandra Bullock para viver a protagonista da história, Malorie. 

Fazem algumas horas que finalizei o filme e estou aqui acordado com uma xícara de café do lado escrevendo esse texto aqui, tamanha importância dessa obra para mim e não preciso dizer de novo para vocês o quanto eu estava ansioso para finalmente ter em mãos essa adaptação. Algumas semanas atrás dediquei um post especial falando sobre o livro (para ler basta clicar aqui) para fazer um esquenta e agora trago uma crítica sobre o que achei do filme, seus pontos positivos, o que poderia ser melhor e se de fato a obra conseguiu ser fiel ao livro.

Vamos lá?


Caixa de Pássaros - Susane Bier
Título Original: Bird Box | Direção: Susane Bier | Ano de Lançamento: 2018 | Gênero: Suspense, terror | Duração: 1H57min

Sinopse: Em um mundo pós-apocalíptico, Malorie (Sandra Bullock) e seus filhos precisam chegar em um refúgio para escapar do Problema, criaturas que ao serem vistas fazem pessoas se tornarem extremamente violentas. De olhos vendados para não serem afetados, a família segue o curso de um rio para chegar à segurança.

Fazendo uma rápida análise do filme como um todo, Caixa de Pássaros foi uma obra honesta e simples. Ao contrário das grandes produções que são lançadas todos os anos, o filme não se utiliza de grandes artifícios para prender seu telespectador ao longo das suas quase 2 horas de exibição. A direção de Susane foi extremamente sensata e eficaz para sustentar o denso roteiro da adaptação do livro, contudo, poderia ter sido mais. Irei dividir a crítica em alguns pontos chaves: Roteiro, Direção Elenco e Desfecho. Acredito que dessa maneira, irei conseguir cobrir todo o conteúdo que quero trazer pra vocês e facilitar a organização da crítica.

Roteiro

O roteiro criado para o filme consegue ser bem funcional e condizente com a história do livro, apesar da decisão de excluírem ou modificarem algumas cenas que, em minha opinião, foram as peças chaves para a criação do ambiente sufocante em que Caixa de Pássaros se passa. Assim como no livro, o filme opta por trazer a mesma divisão temporal intercalando presente e passado. No livro é um pouco mais confuso para você se acostumar com o modelo de narrativa, mas na produção visual funcionou muito bem, sendo as cenas muito bem construídas e delimitadas por um corte de cabelo diferente da personagem ou o estilo das roupas. Uma coisa que gostaria de destacar (e que não acontece com certa frequência ao se falar de adaptações) é que ambas as obras se iniciam da mesma maneira, com Malorie tomando a decisão de atravessar o rio até um suposto abrigo para que possa criar seus filhos em segurança longe do alcance das terríveis criaturas. Como citei, as cenas do filme vão se intercalando e aos poucos vamos vendo tudo que Malorie passou para chegar ao ponto em que a história se inicia, assim como acompanhamos o início do surto e os primeiros suicídios. É uma construção temporal ousada e arriscada, porém a direção eficiente de Susane tira de letra, pelo menos nesse sentido. Com relação a exclusão de elementos ou cenas, senti muita falta dos cachorros (não irei entrar em muitos detalhes por motivo de: spoilers), que assim como os pássaros desempenham um papel muito importante na história. Também foi removido do filme uma cena angustiante em que os personagens buscam água em um poço. Particularmente estava muito ansioso para ver como a mesma seria no filme e não consegui esconder minha decepção ao ver que havia sido cortada, mas com toda a certeza, o que mais me incomodou em todo o filme foram as modificações feitas na cena do parto duplo das personagens de Malorie (Bullock) e Olympia (Danielle Macdonald). A versão cinematográfica é bem mais tranquila e sem graça, se compararmos com a versão do livro. Eu me lembro que nunca senti tanta agonia, medo e nervoso ao ler uma cena antes, mas no filme simplesmente não senti nada. Bola fora. O roteiro também peca nos excessos de explicações e cenas demoradas que pouco adicionavam a história que perde minutos preciosos justificando alguma coisa que no livro nem tem importância. Em alguns momentos o filme se torna lento e arrastado e o clima de tensão é cortado abruptamente. Felizmente, um dos meus grandes medos com relação a história não se concretizou: O filme em momento algum tenta explicar a origem das criaturas, tal qual o livro. Vale ressaltar que a história de Caixa de Pássaros é uma experiência sensorial e em momento algum as criaturas assumem o protagonismo da história, cujo foco são as experiências dos personagens e a forma como cada um deles encontra para sobreviver em meio ao caos. 

Foto: Observatório do Cinema

Explorar um mundo pós apocalíptico cercado por criaturas mortais não é um tema relativamente novo no cinema e na literatura. No início de 2018 foi lançado Um Lugar Silencioso, em que o filme brinca com a mesma premissa de privar o ser humano de algum dos sentidos. Vale a pena lembrar que Caixa de Pássaros foi lançado antes de A Quiet Place e o diretor John Krasinski que também atua no longa, comentou que utilizou o livro de Josh como inspiração para a criação do roteiro do filme, que de fato muito se assemelha a história de Caixa, porém, o filme brinca com a audição e a fala (ou a falta dela) para criar a atmosfera de terror e apreensão. Já em Caixa de Pássaros, Susane enfrentou um super desafio para a criação da história, uma vez que o elemento principal da história e a escuridão e a falta da visão. O enredo funciona no livro pois de qualquer forma, já estamos no escuro e precisamos colocar nossa imaginação para trabalhar e o resultado foi uma das leituras mais emersivas e angustiantes. Como transportar os mesmos sentimentos para os telespectadores em uma obra que, em suma, é totalmente visual? 

Foto: Cinema e Afins
Direção

Apesar de não ser nenhum entendedor com relação aos quesitos técnicos, tenho algumas considerações a fazer. Achei a direção muito eficaz em diversos aspectos, principalmente com relação às filmagens e trilha sonora. A junção de ambos tem como resultado um ótimo casamento e cumpre seu papel na imersão do telespectador na história. A trilha sonora do filme, assim como os demais elementos, é simplória e tímida, utilizada em momentos chave do filme e totalmente inexistente em outros. A direção de arte e fotografia arrasou no filme e as tomadas externas de Malorie no rio ou na floresta são muito bonitas e passam com exatidão o sentimento de desolamento e solidão. Um fato que gostaria de destacar é que a filmagem é toda muito fechada, geralmente focando apenas o rosto do personagem que está em primeiro plano, impedindo que possamos enxergar o cenário como um todo. Achei um recurso bem interessante para a obra, pois ajudou demais a criar o clima de medo e apreensão, pois como não conseguíamos a ver tudo, não sabíamos se as criaturas estavam próximas ou não, porém, tenho algumas ressalvas com relação a isso: Malorie anda com uma caixa de pássaros (daí vem o nome), pois os animais são os únicos que conseguem sentir a aproximação das criaturas. No filme, foi adicionado uma cena bem boba em que as folhas do chão desafiam a gravidade e as leis da física e começam a flutuar. Achei tal recurso bobo e desnecessário e somente os pássaros bastariam para indicar o perigo. A cena, apenas de visualmente bonito e atrativo, corta todo o suspense criado por todos os outros elementos que discutimos antes por justamente eliminar o fator surpresa.


Elenco

Pra vocês não falarem que eu estava puxando sardinha para o lado da Sandra, resolvi falar do elenco por último. Não preciso nem comentar que a Netflix simplesmente tomou sua melhor decisão since always de chamar Sandrinha pra viver Malorie, que traz uma de suas mais poderosas atuações de sua carreira. A personagem é complexa e é incrível ver como a mesma se desenvolve durante a história, porém, os outros personagens são totalmente detestáveis e foram trazidos para o filme em versões mais fracas e apáticas. Enquanto você consegue se conectar com todo o drama vivido por Malorie, os outros personagens passam despercebidos, pois os mesmos não possuem qualquer entrosamento ou coesão entre eles. Sarah Paulson fecha o elenco e também é inegável o talento da atriz, cada vez mais em alta em Hollywood. Ela dá a vida a irmã de Malorie, mas a personagem aparece por menos de 5 minutos no longa. Apesar da participação ser bem parecida com a do livro, gostaria de tê-la visto por mais tempo. As crianças que interpretam os filhos de Malorie, batizados por Garoto e Garota também apresentam atuações regulares e envolventes, mesmo tendo sofrido algumas modificações em suas personalidades. O "vilão" Gary vivido por Tom Hollander possui as mesmas características que no livro, mas particularmente não curti a atuação do mesmo. Os demais não despertam absolutamente nada em você e fiquei bastante decepcionado, pois para essa história funcionar, os personagens e atores precisam estar no mesmo patamar, coisa que claramente não aconteceu.

Foto: Observatório do Cinema

Desfecho e considerações finais

Com relação ao final, é unânime: O do livro é ruim, o do filme é pior ainda. Eu não sei o que acontece com os autores que conseguem caprichar durante todo o livro mas trazem finais tão ruins para as suas histórias. Me parece que consomem toda a energia e criatividade para a construção do enredo e no final usam o primeiro desfecho que pensam, sem de fato casar com a história criada. Quem me conhece sabe que eu odeio o final do livro (que mesmo assim consegue ser um dos meus livros favoritos) e estava morrendo de medo com a forma que o filme iria se encerrar. Infelizmente, Susane opta por encerrar a obra de maneira muito parecida e abrupta deixando final meio "sem pé e nem cabeça." Tinha esperanças que iriam pensar em algum final alternativo e coisa do gênero, até porque já discutimos que para uma adaptação ser boa, não precisa seguir a risca tudo que está no livro, uma vez que as mídias são diferentes e o que funciona num livro pode não funcionar nas telonas e vice versa. Em suma, a essência do livro está presente no filme, porém, não chegou nem perto de me fazer causar os mesmos sentimentos que senti lendo. É um filme bom e bem produzido, não duvidem disso, contudo, poderiam ter sido exploradas outras vertentes que fariam o resultado final ser muito mais interessante. Caixa de Pássaros é a grande aposta da Netflix para fechar 2018 com chave de ouro e começar 2019 em alta, porém, apresenta mais erros que acertos e o resultado é um filme morno e que deixa o telespectador com aquele gostinho amargo na boca.

Nota: 3,5 / 5.0

Espero que tenham gostado da crítica de hoje, não se esqueçam de contar aqui nos comentários se você já assistiu e o que achou. Gostaria de agradecer a todos pelos feedbacks que recebi ao longo desse ano e fiquem ligados que semana que vem faremos uma retrospectiva dos melhores livros lidos em 2018. Até lá!


  1. Oi Gabriel, tudo bem?
    Eu tava esperando a sua crítica e fiquei bem feliz de entrar aqui e encontrar esse post. Assisti ao filme ontem assim que saiu, eu tava bem ansiosa, porque adoro o livro. Eu gostei bastante, mas fiquei com um sentimento de querer mais, então precisava de outra opinião. Eu li o livro há alguns anos e não lembrava de algumas coisas (o post me ajudou a lembrar). Concordo com todos os seus apontamentos, e pra mim o pior também foi terem "suavizado" a cena do parto. Eu me lembrava de ser totalmente angustiante e pesada, mas o filme não conseguiu atingir o mesmo patamar, ficou bem longe na verdade.
    Enfim, o filme é bom e vale muito a pena, mas não se compara com a experiência do livro.
    Beijos!

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    Respostas
    1. Olá, Thalita! Primeiramente gostaria de agradecer por seu comentário, fico feliz que tenha gostado do texto. Eu fiquei realmente frustrado com a cena do parto, criei grandes expectativas a respeito e quando assisti não consegui esconder minha frustração. No mais, concordo muito com o que você disse, o filme é ótimo e vale a pena, porém, no quesito adaptação deixou muito a desejar.

      Grande beijo!

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  2. Olá!!
    Eu assisti nesse final de semana e tive as mesmas impressões que você. A ausência da cena do poço e a parte dos partos das personagens foram as coisas que mais me incomodaram. Quanto ao final, que eu odiei o do livro também, não sei dizer se esperava um melhor no filme. Acho que fiquei tão decepcionada como desfecho do livro que acabei não criando expectativas para a adaptação. Enfim, o filme vale a pena ser assistido, mas fico com o livro.

    Abraços,
    Fernanda

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  3. Oi Gabriel,
    Adorei saber tua opinião, estou bem animada para ler o livro e assistir o filme. Acho muito interessante a proposta que o autor trouxe para o livro. Você citou Um Lugar Silencioso que foi um filme que assisti e gostei bastante. Adoro filmes assim que privam algum sentido do personagem e ficamos no "e agora?". É carregado de agonia e tensão, e acho muito bacana quando o filme consegue transmitir isso ao espectador. Achei muito interessante saber que foi utilizado em A Caixa de Pássaros planos mais fechados, concordo com você, acho isso um ótimo recurso para sentir sensações semelhantes a dos personagens.

    Adorei suas impressões e estou muito animada para ler/assitir!
    Bjokas!
    http://cronicasdeeloise.blogspot.com/

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  4. Eita, que super post! Eu li o livro, mas ainda não consegui terminar de ver a adaptação (tô dependendo do namorado porque ele quer ver junto rs). Assim que eu acavar de ver quero voltar aqui pra conferir sua opinião completa (não li o post todo porque quero ter as surpresas do filme ainda).

    Beijos,
    Isa
    taglibraryisa.blogspot.com

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  5. Até hoje eu só tinha ouvido elogios desse filme, mas só hoje essa é a segunda resenha com críticas hahahaha
    Mas ok, eu não li e nem assisti, não tenho muito interesse, mas... quem sabe qualquer hora
    Por enquanto estou me contentando em ler opnioes como a sua hehehe

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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  6. Que post UOU, super completo :)

    Quero muito assistir esse, pois AMEI o livro, e toda ambientação criada pelo autor. Mas sei o quanto é difícil adaptar um livro que trabalha muito a audição, pois afinal os personagens estão privados de visão, para um filme, onde em essência a visão predomina.
    Fico feliz em saber que não tentaram explicar as criaturas, PONTO pro roteiro, seria bem incoerente. Vamos ver o que vou achar. BJS

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  7. Nossa, adorei sua crítica, bem detalhada!
    Os posts estão bombando nas redes sociais sobre esse filme, estou louca para assistir nesse fim de semana, pois ainda não li o livro. Bjocas, ótimo post.

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  8. Oi Gabriel, eu gostei muito de saber sua opinião embora discorde com você em vários pontos. Por exemplo, na questão da direção achei muito simplória. A fotografia e a sonoplastia ficaram simples, iguais à qualquer outro filme do gênero sem trazer nada de mais ao leitor.
    Sobre o final, eu gostei de como fizeram embora maniqueísta. Bons Bons. Maus Maus.
    Eu gosto do livro Caixa de Pássaros, mas com certeza vou me esquecer facilmente do filme.
    Beijos.

    Fantástica Ficção

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