O Alienista | #ClássicoscomCores

5 de nov de 2018
Foto: Cecília Justen

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :)

Depois de ler e reler O Alienista não acredito que, finalmente, estou abrindo a sessão de resenhas de clássicos no Cores com um livro que eu sou apaixonada e com esse autor brilhante: Machado de Assis. Acho que não tenho mais o que falar, não é?! Então se segurem e embarque nessa história que vai levar o leitor para um mundo insano em que vamos questionar a ciência e o conceito de loucura. 

O Alienista - Machado de Assis

Sinopse: Existem normas que definam o que é sanidade e o que é loucura? Pois a busca e a aplicação de tais normas são as principais razões da vida de Simão Bacamarte. Médico da provinciana Itaguaí, ele gera medo e veneração ao tentar fixar o parâmetro da normalidade. Em 'O alienista', Machado de Assis pretende mostrar, de maneira satírica, o funcionamento da ciência no Brasil do século XIX - e como a população é, no mais das vezes, instrumentalizada em nome dos que detêm o poder.

Páginas: 96 | Autor(a): Machado de Assis | Editora: Nova Fronteira | Gênero: Conto


Simão Bacamarte é um proeminente médico que se formou no exterior e vive em Itaguaí, município do Rio de Janeiro. Sendo médico respeitado, nenhum morador da pequena cidade o questiona quando o mesmo toma a decisão de abrir A Casa Verde, manicômio que tem como objetivo não curar os pacientes, mas sim entender a loucura. 

O alienista, como eram chamados os psiquiátricas, começa sua jornada tratando alguns alienados, mas suas pesquisas precisam ser ampliadas, porque o doutor acredita que só a ciência pode explicar a vida e todas as outras questões que assombram o Brasil do século XIX. Entretanto, na medida em que avança suas ideias, a população começa a se rebelar e planejar ações que vão contra as "barbaridades" planejadas por Bacamarte, iniciando assim um imenso conflito em Itaguaí. 

"A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente."

De todas as leituras que já tive o prazer de fazer com Machado, acredito que O Alienista tenha sido a mais tranquila, porque há a grande questão se este é uma novela ou um conto (pessoalmente, é um conto), então é uma história relativamente curta e com uma mensagem bem clara sobre o que o escritor quer passar. 

Começar a série de #ClássicoscomCores com esse livro foi intencional, pois, acredito eu, ser o mais fácil da literatura brasileira para se iniciar. E Machado é sempre uma novidade, porque, caso você ainda não saiba, o autor não teve uma vida fácil e é claro que como qualquer outro escritor ele coloca críticas aos pensamentos da sociedade da época em suas obras. 

Em O Alienista o foco está na ciência e na corrupção (olha ela aqui, mores) da população brasileira. A primeira crítica está em Simão Bacamarte, ele é vidrado em ciência e seu fascínio para encontrar as respostas da loucura vão o levar até o final do livro que é surpreendentemente bom. O médico chega a se casar com Dona Evarista, porque ela - supostamente - tem condições físicas e intelectuais para gerar um herdeiro adequado para o médico. No final (spoiler) eles não tem filho algum, o que não chega a incomodar o alienista. A segunda crítica podemos encontrar entre personagens secundários da sociedade, como o barbeiro Porfírio, que representa a ambição pelo poder. 

"O terror acentuou-se. Não se sabia já quem estava são, nem que estava doido. As mulheres, quando os maridos saíam, mandavam acender uma lamparina a Nossa Senhora; e nem todos os maridos eram valorosos, alguns não andavam fora sem um ou dois capangas. Positivamente o terror."

Sou apaixonada na história porque Machado utiliza de muita sátira e ironia para escrever e levar até o leitor todas as informações que só complementam a trama. Ademais, apesar de eu ser voltada para ciência, é o conto com melhor final do escritor, pois ele consegue fechar toda a sua críticas e os pontos que queria apresentar em um único parágrafo. 

"Nada tenho que ver com a ciência; mas, se tantos homens em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?"

Com críticas, humor, muitos posicionamentos sobre a loucura e temas que poderiam ser colocados no Brasil do século XXI, fico muito feliz em resenhar O Alienista e poder apresentar uma obra que é recheada de conteúdo e que mostra mais um lado de Machado de Assis, um dos gênios da literatura brasileira. 

"Imagem vivaz do gênio e do louco: um fita o presente, com todas as suas lágrimas e saudades, outro devassa o futuro com todas as suas auroras."

Nota: 5/5 ♥ 

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Um beijo e paz no coraçãozinho de vocês! ✩

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