Livros para discutir política

13 de out de 2018
Foto: Gabriel Ferrari


Olá, pessoas! Como estão?

Não é nem necessário acompanhar os jornais para saber que estamos passando por uma difícil crise política para a escolha dos representantes que irão governar nosso país pelos próximos 4 anos. Pouco se discute a respeito das propostas dos candidatos e o que de fato planejam para o país. Somos massacrados diariamente pela mídia com as mais diversas notícias e a maioria das pessoas não possuem o senso crítico ou o famoso "filtro" para separar as notícias verdadeiras das famigeradas "fake news". O discurso de ódio e a intolerância marcaram as falas políticas durante o primeiro turno e agora temos o país dividido em dois lados como nunca antes aconteceu. A população se encontra inflamada e revoltada de ambos os lados e o menor dos comentários é capaz de estourar uma verdadeira guerra de ofensas e argumentos de conteúdo nulo.

Minha intenção com esse texto não é formar a cabeça de ninguém e muito menos levantar bandeira alguma para candidato A ou B. Elaborei essa lista pois foram livros que li (ou que estou lendo) em algum momento da minha vida e que me ajudaram nesse processo de criação e desenvolvimento do pensamento político, crítico, ideológico e social. Ao contrário do que muitos pensam, a educação é a maior arma que a população possui contra o governo e esse é o momento de avaliarmos as propostas de cada um deles pensando no Brasil como um todo e não se restringir exclusivamente a bolha social em que você encontra-se inserido. Devemos pesar os prós e os contras visando o melhor pra você, pra sua família, pro seu amigo, vizinho e conhecido, independente de candidato, partido ou bandeira. 

Com algumas exceções, procurei trazer uma lista com leituras atuais e de ficção que de alguma forma trazem a luta contra um sistema totalitário e a busca pela igualdade de minorias. Novamente digo, minha intenção não é formar nenhum cientista político (eu tampouco sou). Existem obras maravilhosas que discutem amplamente o tema; essas, por sua vez, nunca tive a oportunidade de lê-las e não sei se agora teria a maturidade suficiente para fazê-las. Meu objetivo é trazer pra vocês livros que ajudaram a despertar meu pensamento crítico e entender um pouquinho sobre o mecanismo que rege o mundo.

Acho que já falei demais e vocês na verdade querem saber a respeito dos livros. Vamos a lista.


Lua de Larvas -  Sally Gardner 
Nome Original: Maggot Moon | Autor(a): Sally Gardner | Ano de Publicação: 2014 | Editora: WMF Martins Fontes
Sinopse: Standish Treadwell é um jovem disléxico que vê o mundo de maneira diferente da maioria. Graças a essa visão, ele percebe que o mundo lá de fora não tem que ser necessariamente cinzento e opressor. Quando seu melhor amigo, Hector, é de repente levado embora, Standish percebe que cabe a ele, a seu avô e a um pequeno grupo de rebeldes enfrentar e derrotar a opressão permanente das forças da Terra Mãe. Com o pano de fundo de um regime implacável, disposto a tudo para vencer seus rivais na corrida para chegar à Lua.

Lua de Larvas se tornou um dos melhores livros que eu já li na minha vida, além ter sido a melhor leitura de 2018. Eu já trouxe uma resenha pro Cores e, caso seja do seu interesse, bata clicar aqui para lê-la na integra. Como citei, a narrativa é toda construída a partir de Standish, um menino pobre e disléxico que luta para dar um basta aos abusos de um governo totalitário e ditatorial, em meio a miséria instalada no que outrora foram os Estados Unidos. Para demonstrar sua supremacia, o país entra em conflito para vencer os rivais e ser o primeiro país a alcançar à Lua. O livro desenvolve brilhantemente a forma como a mídia é capaz de controlar as informações, manipulando assim a sociedade, que possui acesso restrito a conhecimento. Questões como controle populacional, falta de investimento em cultura, além de uma aula de história a respeito de opressão, ditadura, xenofobia, entre outros.

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O Conto da Aia - Margaret Atwood
Nome Original: The Handmaid's Tale | Autor(a): Margaret Atwood | Ano de Publicação: 1985 | Editora: Rocco


Sinopse: O conto da aia' passa-se num futuro muito próximo e tem como cenário uma república onde não existem mais jornais, revistas, livros nem filmes - tudo fora queimado. As universidades foram extintas. Também já não há advogados, porque ninguém tem direito a defesa. Os cidadãos considerados criminosos são fuzilados e pendurados mortos no muro, em praça pública, para servir de exemplo enquanto seus corpos apodrecem à vista de todos. Nesse Estado teocrático e totalitário, as mulheres são as vítimas preferenciais, anuladas por uma opressão sem precedentes. O nome dessa república é Gilead, mas já foi Estados Unidos da América. As mulheres de Gilead não têm direitos. Elas são divididas em categorias, cada qual com uma função muito específica no Estado - há as esposas, as marthas, as salvadoras etc. À pobre Offred coube a categoria de aia, o que significa pertencer ao governo e existir unicamente para procriar.

Fiz a leitura de O Conto de Aia logo após Lua de Larvas e vocês não tem noção da raiva que senti ao ler a narrativa de um futuro distópico (não tão distante assim) em que as mulheres perdem todos os seus direitos e sua única função é perpetuar a reprodução da espécie e a garantia da vida. A história escrita em 1985 nunca esteve tão atual e além de discutir temas como repressão, censura, feminismo e estado laico, aborda a violência, o empoderamento feminino e a luta pela liberdade. A obra possui inúmeras adaptações ao longo desses anos e a mais recente lançada em 2016, a premiada série The Handmaid's Tale (cuja review você pode ler aqui), adaptada de maneira brilhante para a TV. 

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Os Miseráveis - Victor Hugo
Nome Original: Les Misérables | Autor(a): Victor Hugo | Ano de Publicação: 1862 | Editora: Martin Claret


Sinopse: “Os Miseráveis” conta a história de um homem que sofre durante toda sua vida por causa de um erro cometido na juventude. A saga de Jean Valjean se passa na França revolucionária do final do século XVIII e início do XIX quando monarquistas e republicanos lutavam pelas ruas. Este romance tem personagens marcantes como o inspetor Javert, que passa a vida perseguindo Valjean e Cosette, um casal que enfrenta inúmeras armadilhas do destino.

De todos os livros dessa lista, o único que eu ainda não finalizei a leitura é de Os Miseráveis. Ao longo de suas mais de 1500 páginas, Vitor Hugo constrói a vida de uma teia de personagens cujo único objetivo é sobreviver aoes cruéis anos da Revolução Francesa. O livro apesar de originalmente publicado em 1862, possui uma escrita atual e nada difícil de ler. Ainda estou lendo e por isso apenas irei citá-lo na lista por ser uma obra importantíssima voltada ao viés político e levanta temas como separação e divisão de renda, noções de monarquia, e claro, as intempéries de uma guerra.  Assim que finalizar a leitura, prometo trazer uma resenha especial pra vocês.

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"Enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver a ignorância e a miséria, livros como este não serão inúteis." - Victor Hugo. 


Jogos Vorazes - Suzanne Collins
Tìtulo Original: Hunger Games | Autor(a): Suzanne Collins | Ano de Publicação: 2008 | Editora: Rocco
Sinopse: Na região antigamente conhecida como América do Norte, a Capital de Panem controla 12 distritos e os força a escolher um garoto e uma garota, conhecidos como tributos, para competir em um evento anual televisionado. Todos os cidadãos assistem aos temidos jogos, no qual os jovens lutam até a morte, de modo que apenas um saia vitorioso. A jovem Katniss Everdeen, do Distrito 12, confia na habilidade de caça e na destreza com o arco, além dos instintos aguçados, nesta competição mortal.
Eu acredito que a melhor maneira para se discutir política de uma maneira interativa e sem ser chata é a criação de um universo distópico em que as críticas ao modelo escolhido sejam dadas de maneira quase imperceptível. Pode parecer bobo, mas você acaba estudando sem nem ao menos perceber e de toda a minha lista, 3 dos romances se passam em uma distopia. Jogos Vorazes se popularizou após a trilogia ser adaptada para os cinemas com a talentosa Jennifer Lawrence vivendo Katness Everdeen. Ambas as obras são muito boas e fica claro as críticas realizadas pela autora ao duro sistema opressor e desigual. Novamente vemos o poder que a mídia tem para corromper uma notícia e adaptar de acordo com a mensagem a ser passada por quem interessa, e podemos ver que os meios de comunicação andam de mãos dadas com a política, uma alavancando a outra.

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A Menina Que Roubava Livros - Markus Zusak
Nome Original: The Book Thief | Autor (a): Markus Zusak | Ano de Publicação: 2004 | Editora: Intrínseca

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, uma jovem garota chamada Liesel Meminger sobrevive fora de Munique através dos livros que ela rouba. Ajudada por seu pai adotivo, ela aprende a ler e partilhar livros com seus amigos, incluindo um homem judeu que vive na clandestinidade em sua casa. Enquanto não está lendo ou estudando, ela realiza algumas tarefas para a mãe e brinca com o amigo Rudy.

De todos os livros da lista, essa é a obra mais "emocional" e menos política, mas mesmo assim, uma leitura capaz de despertar sua empatia com relação as atrocidades cometidas durante o nazismo no período da Segunda Guerra Mundial. O livro retrata de maneira crua e direta o medo do novo, a xenofobia e a perseguição religiosa e cultural. É um livro que marcou muito a minha vida, pois fiz a leitura muito novo e me lembro de desde o início ter essa clara ideia de que toda essa separação era algo errado e que deveria ser combatido de alguma forma. É uma leitura muito crua, e também posso citar "O Menino do Pijama Listrado" de John Boyne que é uma história ambientada na Segunda Guerra e retratam muitas crueldades que presos políticos, judeus, pessoas pobres e homossexuais passaram durante esse período.

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Cena do filme "O Homem Duplicado".
O estudo da história nos impede de cometermos o mesmos erros no futuro, uma vez que, como já dizia a teoria em que a história é cíclica, o que aconteceu no passado, irá acontecer novamente em algum momento lá na frente. Todos os livros citados acima contribuíram para a construção do meu caráter e me fizeram lutar pelas coisas que acho certo, sem que haja qualquer separação da sociedade, seja ela por religião, orientação sexual ou nível de instrução.  
Por ganância, ódio e preconceitos, chegamos a uma batalha quase perdida e estamos cercados de intolerância vivendo cada vez mais separados, com medo do próximo.

Proponho então, que sejamos os agentes pacificadores, os disseminadores de notícias imparciais e saibamos, acima de tudo, discernir e filtrar todas as  informações que chegam até nossos ouvidos.

Que a partir de agora possamos votar de maneira consciente sem esquecer o amiguinho do lado e pensar no coletivo. Precisamos aprender desde cedo que política se discute sim e, acima de tudo, é essencial para que possamos mudar o ciclo venenoso e preconceituoso que o Brasil encontra inserido, contudo, a única maneira de fazermos isso é com educação.

Abaixem as armas e apontem os livros.



2 comentários:

  1. Já li Jogos Vorazes dessa lista, mas tenho muita vontade de ler Os miseráveis e a menina que roubava livros, uma amiga releu recentemente esse último e me reforçou que preciso mesmo ler rsrs
    Achei uma ótima lista e estou contigo :) a educação é nossa melhor arma, nada dessas bobagens de ofensas que vimos nesses ultimos dias!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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  2. Oi Gabriel.
    Eu amo falar sobre política mas evito esses assuntos que não seja na minha página pessoal do facebook. Exceto o primeiro, já li todos eles e concordo com você quando diz que possuem aspectos necessários à se entender política, mas também humanidade
    Adorei a post
    A lista ficou super bacana.

    Blog: Fantástica Ficção

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