Pequenos Incêndios Por Toda Parte | Resenha

1 de set de 2018
Foto: Gabriel Ferrari





Ei, pessoal, tudo bem?

Da recente lista de aquisições literárias que fiz, talvez Pequenos Incêndios Por Toda Parte da escritora Celeste NG tenha sito a obra que eu mais estivesse ansioso e curioso para por as mãos, um livro em que muitas pessoas divulgaram como um dos melhores livros do ano, além de ter sido um dos best sellers do The New York Times e vencedor de diversos prêmios em 2017. 

Pequenos Incêndios Por Toda Parte - Celeste Ng.

Título Original: Little Fires Everywhere
Editora: Intrínseca
Ano de Publicação: 2017
ISBN: 9788551003121
Número de Páginas: 416
Gênero: Romance, Drama, Mistério
Sinopse: Um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. Em Shaker Heights tudo é planejado: da localização das escolas à cor usada na pintura das casas. E ninguém se identifica mais com esse espírito organizado do que Elena Richardson. Mia Warren, uma artista solteira e enigmática, chega nessa bolha idílica com a filha adolescente e aluga uma casa que pertence aos Richardson. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada.



Como disse no início do texto, fui cercado de expectativas quanto ao livro. Em uma leitura rápida da sinopse, ficou pra mim a clara influência da série americana Desperate Housewives na construção do enredo de Pequenos Incêndios. Shaker Heights é, sem tirar nem por, o conjunto de clichês do sonho americano; casas no estilo vitoriano, gramados e jardins floridos, cercas brancas delimitando os quintais dos vizinhos que vivem em perfeita harmonia em que muito se parece com a cidade ficticia de Wisteria Lane. E as coincidências não param por aí: A protagonista do livro, a jornalista Elena Richardson é a irmã gêmea perdida de Bree Van De Kamp, ambas extremamente rígidas com a criação dos seus filhos, com suas casas enormes e bem cuidadas e a vida perfeita. Infelizmente, as comparações entre ambas terminam por aí. 

Foto: Gabriel Ferrari

A escrita de Celeste, apesar de muito boa, não me prendeu nenhum um pouco. Senti por diversos momentos vontade de largar o livro que se estende por páginas e mais páginas de um conteúdo pouco atrativo. A vida de Helena muda após alugar uma de suas casas para a misteriosa fotógrafa Mia Warren, que, a grosso modo, se comporta da maneira oposta aos "padrões" impostos em Shaker, trazendo um conflito cultural e abalando as estruturas da pequena cidade. Apesar de bons momentos, precisei passar da metade do livro para de fato me sentir conectado aos personagens, que me pareceram bobos e um pouco forçados. 

Contudo, nem tudo é desastre no livro e Celeste nos presenteia com um verdadeiro debate de cunho familiar, levantando questões sobre o que é ser mãe, as responsabilidades das pessoas perante seus atos e, consequentemente, suas consequências. O livro também debate o poder que uma mentira ou fofoca pode exercer na vida de uma pessoa, ainda é claro, de mergulhar em um drama familiar muito real em que sempre há algo de errado na perfeição de uma casinha de bonecas. 

Confesso que Helena é minha personagem favorita do livro, a mais complexa e mais humana. Mia, por sua vez, é chata e sem sal, assim como sua filha de 15 anos, Pearl. Os demais personagens não são nem bons ou ruins e passam sem grande destaque para a história, que torno a frisar, apesar de possuir uma boa premissa, peca entre sua percepção e a composição da história.

O final é a pior parte de tudo: Celeste finaliza o livro de maneira abrupta e aberta, deixando que os diversos pontos soltos do enredo sejam respondidos pelo leitor que lutou contra o sono e conseguiu finalizar a obra, que por muitas vezes peca por excessos e termina a leitura com muitos pontos de interrogação. 

Apesar dos pesares, finalizo a leitura de Pequenos Incêndios levemente frustrado sobre o livro, pois como citei no início, estava muito ansioso e esperava algo emblemático e desafiador, contudo, foi uma obra regular do início ao fim, escrita com esmero e cuidado, demonstrando um bom preparo da autora para levantar os temas discutidos.


Nota: 3/5


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4 comentários:

  1. Hahaha eu tb não curto finais abertos! Fico enlouquecida!
    Eu realmente não esperava que esse livro fosse assim. Ótima resenha, agora posso ler com as expectativas corretas :)

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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    1. A leitura caiu como um balde de água fria em mim! hahahaha, esperava muito do livro e acabei me decepcionando. Mas de qualquer forma, é uma leitura válida! hahahah

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  2. Oii Gabriel.
    Engraçado que eu terminei de ler O Aliciador do Donato Carissi ontem mesmo e lendo sua resenha fiquei com a sensação que sentimos a mesma coisa. A diferença é que o autor tem uma boa escrita, mas também termina a obra (que tinha tudo para ser excelente) de maneira adrupta e pouco convincente o que me deixou frustada.
    Sobre este, eu vou passar longe desse livro. Porque o certo seria que eu provocaria um Pequeno Incêndio nele kkk
    Beijos.

    Blog: Fantástica Ficção

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    1. Olá, Jessica!

      SIIM! Eu também quis tacar fogo no livro, uma obra que todos estavam falando por aí e me despertou muita curiosidade. Acho que o problema em si foram os problemas na concepção da história e não o fato do final ter sido aberto, apesar da escrita da autora ser ótima. Contudo, não sei se daria outra chance para a autora. Hahahahah

      Grande beijo!

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