Ninféias Negras | Resenha

29 de set de 2018
Foto: Gabriel Ferrari
Olá, pessoas! Tudo bem com vocês? Eu estou muito bem!

Hoje vim trazer a resenha de “Ninféias Negras” do escritor Michel Bussi, publicado aqui no Brasil pela nossa querida editora Arqueiro. A obra francesa promete mergulhar o leitor em uma aula de história sobre o célebre pintor impressionista Monet em uma teia de suspense e mistério para a resolução de um assassinato nos jardins da cidade francesa de Giverny, um vilarejo paradisíaco que serviu de inspiração para o pintor na confeccão dos seus mais famosos e prestigiados quadros.

Antes de começarmos, vamos nos situar mediante ao período histórico que o livro utiliza para a construção de seu enredo: Claude Monet foi um dos mais conhecidos pintores do período artístico que ficou conhecido como Impressionismo, criado na França durante o século XIX. O termo é derivado da obra "Impressão: nascer do sol", uma das obras primas mais conhecidas do pintor. O vilarejo de Giverny de fato existe e o próprio Monet passou seus anos finais, até morrer em dezembro de 1926. Os diversos lagos e pontes da cidade serviram de inspiração para a sua famosa série de quadros batizadas de "Nenúfares". O corpo do pintor foi enterrado no cemitério do vilarejo e hoje é um dos pontos turísticos mais visitados da França.

Quadro que faz parte da série "Nenúfares", pintado por Monet em Giverny.

Bom, logo de cara podemos perceber que a narrativa da obra é toda construída por esse viés artístico de Giverny. Interessante, não? Agora que entendemos um pouquinho sobre o contexto em que o livro está situado, vamos ao que interessa:



Ninféias Negras - Michel Bussi
Titulo Original: Nymphéas Noirs | Autor(a): Michel Bussi | Editora: Arqueiro | Ano de Publicação: 2013 | ISBN: 9788580416329 | Gênero: Suspense, mistério, investigativo.

Sinopse: Num vilarejo, viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta.O vilarejo tinha um belo nome de jardim. Giverny. A primeira mulher morava num grande moinho à beira de um regato, a segunda ocupava um apartamento sobre a escola primária, a terceira vivia com a mãe numa casinha de paredes descascadas.As três tampouco tinham a mesma idade. A primeira tinha mais de 80 anos e era viúva. Ou quase. A segunda tinha 36 e nunca havia traído o marido. Ainda. A terceira estava prestes a completar 11 anos e todos os meninos de sua escola queriam ser seu namorado. A primeira só usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento.As três eram bem diferentes. Tinham, porém, um ponto em comum: todas elas sonhavam em ir embora. Sim, ir embora de Giverny, esse vilarejo que provoca em tantas pessoas a vontade de atravessar o mundo inteiro só para ali passear por algumas horas.Todas as três consideravam o vilarejo uma prisão, um grande e belo jardim, mas cercado por grades. Como a área externa de um asilo. Uma ilusão de ótica. Um quadro no qual seria impossível ultrapassar os limites da moldura.'Uma vez, no entanto, as grades de Giverny se abriram para elas! Para elas apenas, como acreditavam. Mas a regra era cruel: somente uma poderia escapar. As outras duas precisavam morrer. “Um livro hipnotizante, que me prendeu completamente à medida que Bussi, de maneira inteligente, foi quebrando todas as regras de construção de enredo, numa história repleta de enigmas dentro de enigmas. 

Preciso comentar pra vocês que Ninféias Negras estava em minha lista de compras fazem, no mínimo, uns 5 anos, contudo, sempre acabei deixando de lado e optando por outros livros. No meu último acesso de loucura em que comprei quase 20 livros, coloquei um exemplar da obra em meu carrinho de compras determinado a removê-lo da minha lista de desejados. Então começo a leitura: Vejam bem, eu vim de duas leituras de suspense, uma maravilhosa (A mulher na Janela) e uma bem mais ou menos (O homem de giz), então minhas expectativas com relação a Ninféias Negras estavam aquém do esperado. Comecei a lê-lo despretensiosamente e num primeiro momento não me senti conectado a história, apesar de desde o início achar a narrativa muito bem escrita e o enredo original e envolvente, pois como vocês sabem, amo quando os livros constroem suas histórias utilizando fatos reais e eventos que de fato aconteceram.

Foto: Gabriel Ferrari

Michel foi muito feliz na escolha do enredo e na montagem dos eventos que se passam em Giverny. Enquanto somos apresentados ao mistério principal que rodeia a trama, também mergulhamos na história do vilarejo através da história de três gerações distintas: A velha bruxa do moinho, uma professora de artes e uma garotinha de 11 anos cujo sonho é se tornar uma pintora de sucesso, tal qual Monet. A história delas a princípio não possui nenhuma relação com a morte de Jérôme Morval, um prestigiado médico, que foi encontrado brutalmente assassinado e jogado em um dos lagos que outrora serviram de inspiração para a pintura de "Nenúfares", contudo, com o desenrolar da trama, vemos que elas são a peça final do quebra cabeça para a resolução da trama.

Sei que já falei sobre, mas realmente fiquei impressionado com a forma como Bassi mesclou a história de Monet e Giverny com a ficção e o ambiente sufocante presente em Ninféias. A casa do pintor hoje é um museu que recebem turistas de advindos de todo o mundo para conhecer seu ateliê e nesse quesito o o livro é impecável do começo ao fim, abusando nas descrições dos diversos jardins e lagos paradisíacos, tornando a experiência de leitura ainda mais agradável e rica. A junção com a ficção é extremamente bem construída e durante a leitura, somos apresentados a uma antiga lenda que ronda o vilarejo sobre um suposto quadro que Monet pintou em seu leito de morte: Trata-se de uma versão sombria da obra Nenúfares batizado de Ninféias Negras. Esse quadro, por sua vez, nunca foi encontrado. O autor amarra os temas discutidos em uma trama original e com muito, muito suspense, além de personagens bem construídos. A velha bruxa é uma das melhores presentes na história, mas também destaco o investigador Sylvio e sua excêntrica esposa que trouxeram um tom cômico e leve para a narrativa. Me diverti demais com os dois e ficava ansioso esperando por mais aparições dos mesmos.

Foto: Gabriel Ferrari

Com relação a resolução do mistério e o desfecho entre as histórias das personagens, nem nas mais remotas hipóteses eu iria pensar em algo que se aproximasse do que Bassi pensou e para fim, foi a cereja do bolo que coroa Ninféias Negras com as sonhadas 5 estrelas. Confesso que enquanto redigia essa resenha para vocês, voltei em algumas passagens marcadas pra refrescar minha memória e agora percebo as dicas sutis que autor nos deixou pra mostrar a relação entre as três mulheres, mas como citei, nunca iria imaginar dessa forma. O livro possui um bom ritmo e mesmo as páginas iniciais que são utilizadas pra apresentar a cidade, os moradores e o mistério envolvendo o assassino de Morval apresentam um bom ritmo e coerência com a história, porém, do meio em diante em totalmente impossível largar a história! Eu me lembro de ter desmarcado todos os meus compromissos, pois eu precisava saber o ponto em comum entre as três personagens e descobrir a identidade do assassino. Sei que já falei isso, mas fui pego totalmente de surpreso e nossa, que sensação boa!

Preciso destacar o profissionalismo com o que Michael escreveu e guiou sua história de maneira fluida e sem "engasgos" e furos de sincronismo. Escrever uma boa história de suspense que mantenha o leitor instigado e curioso e ao mesmo tempo não deixar que o ritmo da história caia na mesmice é muito difícil. Agora imaginem fazer isso tudo e ainda pensar em um plot twist "destruidor" como foi no caso desses? Estou falando isso, pois além de resenhista, estou tentando escrever um livro do gênero, e é muito difícil! Eu tiraria meu chapéu para Michael se eu tivesse um.

Foto: Gabriel Ferrari

Em suma, Ninféias Negras brinda o leitor com uma narrativa original, criativa e brilhante, um desfecho emocionante e totalmente inesperado. Alinhado com a escrita aguçada de Michael, poucas vezes finalizei um livro embasbacado com toda a sagacidade da história. Fica aqui mais uma dica minha de suspense (tá, eu prometo trazer outros gêneros) pra você que se interessa por livros históricos assim como eu. Podem confiar, é bom demais! 

Nota: 5/5

Ah, e antes que eu me esqueça! Estou pensando em trazer pra semana que vem uma Review sobre algum filme, faz tempo que apenas estou falando de livros e quero trazer um conteúdo diferente pra vocês. Há alguma sugestão? Conta aqui embaixo pra mim nos comentários, vou ficar esperando. Bom final de semana pra vocês e nos vemos próximo sábado, isso se eu não tiver infartado com essas histórias mirabolantes. Até!


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