Sharp Objects | série limitada baseada no romance de Gillian Flynn

27 de ago de 2018

Oi gente, tudo bem com vocês? Espero que sim. Por aqui está tudo certo.

Eu passei o início desse mês assistindo às temporadas mais recentes de algumas séries e quando terminei, eu fiquei meio perdida, sem saber o que iria assistir em seguida. Fiquei assim por uns dias, dando uma pausa dos episódios. E aí eu me lembrei de uma série que já tinha chamado a minha atenção antes de ser lançada: Sharp Objects.

Antes de começar a falar da série, eu queria dar uma notícia que tem a ver com o post do mês passado. Anne With an E foi oficialmente renovada para a terceira temporada, depois de muitas manifestações online da criadora, do elenco e dos fãs, pedindo que a série retornasse para mais uma temporada. E deu certo! Teremos mais um pouco de Green Gables no futuro.

Voltando ao assunto de hoje...

Em Sharp Objects, ou Objetos Cortantes em seu título em português, a repórter Camille Preaker deve retornar a sua cidade natal, Wind Gap, para cobrir o assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra, enquanto lida com seus fantasmas do passado. Terá de encontrar sua mãe neurótica, com quem não fala há muito tempo, seu padrasto e sua meia-irmã, quem ela mal conhece. Com seus próprios problemas psicológicos, ela irá se envolver na investigação destes crimes, nesta pequena cidade, ao redor dessas pessoas que fizeram parte de um passado do qual ela não fala.


Sharp Objects é a mais nova série da HBO e tem a incrível Amy Adams como protagonista. Só esses dois fatores já foram suficientes para atrair meu interesse pela produção. Apesar de nunca ter assistido nenhuma série da HBO, é impossível que eu ignore a qualidade das produções deles, já que estão sempre presentes nas premiações e sempre sendo muito elogiadas pelo público geral e pela crítica. Temos Game of Thrones e Big Little Lies como exemplos disso. Além de ter Amy Adams no papel principal, o que me chamou logo a atenção, já que gosto muito de outros trabalhos da atriz. Mas não só por isso Sharp Objects entrou para a minha lista de séries a serem assistidas.

Ela é baseada no primeiro livro de Gillian Flynn, que foi primeiramente lançado com o título Na Própria Carne, pela editora Rocco, mas foi relançado pela editora Intrínseca com o novo título Objetos Cortantes, que é a tradução do título original em inglês, que também dá nome à série. Eu nunca li nenhum livro da autora, nem o mais conhecido, Garota Exemplar, porém acho o gênero muito interessante e já li alguns livros com temáticas semelhantes, por isso queria muito ver como eles iriam abordar essa narrativa em um formato diferente das páginas de um livro. Tenho visto muito comentários de pessoas que leram o livro dizendo que a série está muito fiel e que faz jus à obra de Flynn.

Acho que a série faz um belo trabalho em contar a história. A maneira como ela faz isso é extremamente envolvente e te deixa cada vez mais com mais vontade de saber o que acontece. A edição tem um papel essencial na construção do enredo. Muitas vezes a gente não presta atenção na montagem de um filme ou série, mas essa questão é de suma importância. Como as cenas serão colocadas juntas e apresentadas ao público para contar a história, quais pedaços daquela narrativa nós vamos ver e em qual ordem. É uma peça fundamental quando se cria uma obra de qualidade, já que isso implica diretamente em como nós vamos montar a história nas nossas mentes e como nós vamos interpretá-la. Sharp Objects faz isso de um jeito incrível, intercalando sempre cenas do presente e do passado de Camille, dando um bom ritmo ao enredo e nos dando mais espaço para entender a personagem e mais espaço para nossas próprias interpretações, enquanto nem tudo ainda foi revelado.


O grande mistério da série, a princípio, é quem cometeu os crimes, porém a história constrói outros mistérios paralelos envolvendo vários personagens. Na série, esses mistérios são apresentados de maneira bem sutil, instigando o espectador. Porém, logo no primeiro episódio, vemos que este não será o foco abordado pela série, já que ela prefere seguir um caminho focado mais nos personagens e, principalmente, em Camille e suas questões psicológicas, como estas se desenvolveram e qual impacto elas têm em sua vida, assim como qual o papel que o seu passado em Wind Gap teve em todo esse processo. A série desenvolve assim algo muito maior do que a velha trama do “assassinato misterioso” e aborda questões muito mais relevantes ao enredo. 

Confesso que assistir à série me deixou com muita vontade de ler o livro e ver como a autora desenvolveu esse enredo no livro, que trabalha diversos assuntos importantíssimos, como por exemplo, a automutilação e a relação de Camille com a mãe. Relação esta que é a origem de muitos dos comportamentos que Camille desenvolveu durante a vida. É interessante, porque, na maioria das vezes, as relações entre mãe e filha não são representadas como relações tóxicas, da maneira que acontece em Sharp ObjectsAmbas são personagens extremamente complexas e nós passamos todos os episódios tentando compreender essa relação complicada e que trouxe tantas frustrações, tanto para Camille, quanto para sua mãe, Adora. Camille é uma filha que não atendeu às expectativas da mãe e nós podemos ver como isso foi prejudicial dentro dessa família.

Outra questão muito interessante abordada pela série é a perda. Ela trata este assunto de diversas perspectivas diferentes, mostrando como a morte de alguém querido causa impacto em diferentes pessoas e como isso pode ser um ponto decisivo na vida de alguém. A perda, além de outras coisas, trouxe alguns problemas para Camille, entre eles a automutilação, que, para quem não sabe, é o ato de provocar por vontade própria qualquer tipo de ferimento em si mesmo. 

O elenco da série é maravilhoso. Já falei sobre Amy Adams ali em cima, mas preciso enfatizar que ela está simplesmente incrível nesse papel, dando o tom necessário à sua personagem e às características dela. Eu diria inclusive que nós ainda vamos ver seu nome nas premiações seguintes. No elenco mais jovem temos duas garotas incríveis: Sophia Lillis, que interpreta Camille mais nova, e Eliza Scanlen, que interpreta Amma, meia-irmã de Camille. As duas fazem trabalhos incríveis em suas respectivas personagens. Sophia, apesar de não ter tanto tempo de tela, já que aparece mais em flashbacks, entrega uma interpretação muito boa, baseando-se principalmente nas expressões, além de ser incrível sua semelhança com Amy Adams. Eliza foi uma grande surpresa, pois a sua atuação é extremamente convincente. Amma é uma personagem muito complexa e intrigante e desperta muitos sentimentos em quem está assistindo, muito disso se deve ao trabalho impecável da atriz. Inclusive, espero muito mesmo que ela seja reconhecida por esse papel incrível que ela teve na série.


A equipe que faz parte da produção da série conta com o diretor de Big Little Lies, Jean-Marc Vallée, também conhecido pelo seu trabalho no filme Clube de Compras Dallas. Temos também o produtor Jason Blum, que também trabalhou na produção de Corra! (inclusive, adoro esse filme) e a própria Gillian Flynn que trabalhou no roteiro da série. O último episódio da série foi ao ar ontem (dia 26) e, segundo a HBO, não haverá uma segunda temporada. Acho que assim é melhor, porque essa temporada teve um final muito coerente com o que havia sido apresentado antes. Eu com certeza irei ler o livro, pois já li alguns comentários falando que o final foi ligeiramente diferente, então preciso de mais.

Essa foi uma das melhores escolhas de séries que eu já fiz, um pouco diferente do que eu vinha assistindo, mas valeu muito a pena. Estarei aqui, ansiosa para ler os comentários de vocês! Já tinham ouvido falar sobre Sharp Objects? Já leram o livro? (Nesse caso, se já leram, por favor, do fundo do coração, não deem spoilers). Comentem!

9 comentários:

  1. Oi Thalita! Eu vejo essa resenha e só penso "uau que tenso!" Parece mesmo uma série ótima. Eu tb não li nada da autora, mas não foi por falta de vontade. Vejo que os elogios que fazem sobre livro e filme são muito bem aplicados!

    osenhordoslivrosblog.wordpress.com

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    1. Oi!! A série é incrível, definitivamente vale a pena! Tenho muita vontade de ler alguma coisa da Gillian e acho que vou começar por Objetos Cortantes mesmo.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Oii Thalita.
    Esse série deve ser fantástica. Ano passado eu li o livro e fique abismada com o poder de Gillian Flynn em escrever uma obra tão repleta de críticas e pequenos delírios da humanidade.
    Como uma boa fã da Amy Adams e da Flynn, mesmo não sendo a maior fã de séries pretendo assistir essa. Com certeza vou amar.
    Beijos.

    Blog: Fantástica Ficção

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    1. Oi Jessica!!
      Com certeza eu irei ler o livro!! A história é sensacional e aquele final me pegou de surpresa, confesso. É muito legal ver como a história é abordada em diferentes formatos.
      Beijso!

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  4. Oi Thalita! Compartilho da sua felicidade com relação a Anne with an E <3
    Estou doida pra assistir Objetos Cortantes, por esse motivo pensei em pular a parte que você fala da premissa, mas acabei me rendendo, li e preciso mais dessa historiaaaaaa! Também não li o livro, aliás nem um outro da Gillian Flynn, então pretendo ler ele primeiro e depois conferir a série. O elenco está realmente incrível, o que empolga ainda mais. Adorei a recomendação, beijos!

    http://abducaoliteraria.com.br

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    1. Oi Gisele! Ainda bem que te dei mais uma incentivo pra conhecer essa história incrível! Também quero muito ler o livro!! O elenco tá excepcional, de verdade. Obrigada pelo comentário!
      Beijos!

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  5. Ebaaa eu adoro Anne With, que notícia boa, não sabia.
    Quanto a série em questão, vou anotar aqui, adoro um suspense, mistério, sou a louca das séries kkk, se eu pudesse assistiria o dia todo, Waleu pela dica, bjus.

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    1. Oi!! Que bom que gostou da indicação!! Também sou assim com séries! Tô sempre assistindo alguma coisa.
      Beijos!

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