Objeto Sexual | Resenha

26 de abr de 2018
Foto: Cecília Justen

Ei! Tudo bem?
Espero que sim :) 

Esses dias terminei mais uma leitura de autobiografia, um gênero que está entrando em minha vida aos poucos graças à parceria com o Grupo Editorial Pensamento. Eles estão me dando uma oportunidade muito legal de ingressar nesse mundo que não me interessava tanto. 

O livro da vez foi Objeto Sexual, e apesar de querer falar muitas coisas nessa introdução, vou me conter e contar tudinho da resenha, pois a história de Jessica Valenti merece um grande espaço nesse blog. Ela é uma das feministas mais relevantes atualmente e eu estou muito feliz em ter esse pequeno contato com ela e toda a sua história, mas mais ainda, estou feliz por passar um pouquinho sobre o feminismo para vocês. 

Objeto Sexual - Jessica Valenti

Sinopse: Nesta sincera autobiografia, Jessica Valenti uma das feministas mais proeminentes da atualidade, explora o preço que o machismo cobra na vida das mulheres. Dos assédios em transportes públicos e o medo do sucesso ao despertar sexual, Objeto Sexual revela os momentos dolorosos, constrangedores, e às vezes “fora da lei”, que moldaram o período da adolescência e de jovem adulta de Valenti na cidade de Nova York. Visceral e emocionante, Objeto Sexual, não apenas conta as histórias vividas pela autora, mas reproduz as que se repetem todos os dias, na vida de milhões de mulheres objetificadas ao redor do mundo.

Foto: Cecília Justen

Páginas: 232 | Autor(a): Jessica Valenti | Editora: Cultrix (Grupo Editorial Pensamento) | Gênero: Auto-Biografia

"Todas as mulheres vivem em objetificação, assim como os peixes vivem na água" 
Catharine A. MacKinnon

Desculpe se vocês não gostarem mas é, essa não será uma resenha convencional daqui do blog, porque depois de ler o livro, acabei percebendo que conseguiria falar todo o necessário em dois parágrafos (não que ele seja ruim, não pensem isso) e o tema feminismo precisa de um espaço também. 

Jessica Valenti é feminista, assim como várias pessoas no mundo. Ela também é colunista no The Guardian, aonde fala sobre o tema e sobre política. Seus textos são geniais, super indico se você consegue puxar um pouquinho no inglês. Entretanto, não estou aqui para isso, não é mesmo?!

Objeto Sexual é sobre a vida de Jessica, mais precisamente sobre a adolescência (aquele momento em que você passa de criança para "objeto sexual" e não entende o que está acontecendo) até a fase adulta quando ela tem sua filha. O livro é muito puxado para sua vida, isso é um fato, então, em alguns momentos, você vai pensar que é apenas sobre suas fases, sobre seu contato com as drogas, os homens com quem transava e a vida louca que levou por muito tempo até conhecer seu marido. Contudo, é com esse cenário "assustador" que Jessica consegue moldar todos os conceitos do feminismo. 

Ela passou sua infância sendo julgada pelo tamanho de seu nariz, até que seus peitos pareceram ser mais atrativos, não apenas para meninos de sua classe, mas para homens no metrô que se esfregavam nela ou mostravam suas partes íntimas de forma bem explicita, para professores que a conhecia há tempos, para homens da família e caras da rua que nunca mais verá novamente. Esses fatos e mais alguns aconteceram com ela, aconteceram com várias mulheres e irão acontecer, o que faz esse livro ser tão importante. 

Jessica não está ali para debater o conceito de feminismo e todas as deturpações que muitas pessoas fazem para seu bom grado, ela está para mostrar o significado de forma prática de objetificação de uma pessoa. Como ela foi vista pelo tamanho de seu nariz e depois pelo seu peito. Como ela precisou moldar sua vida para não se afetar com todos os "carinhas" por aí. E fala sobre o efeito disso tudo. Por muito tempo Jessica se viu perdida, não se reconhecendo e se perdendo nessa vida que ela precisou de apoio depois de tudo o que passou. 

Esse livro é dedicado a sua filha que tem chances de passar pelos mesmos problemas que ela, o que mostra um simples fato: A objetificação não vai acabar, mas ela precisa ser debatida. 

Muitas coisas aconteceram em sua vida e se tornar famosa por seus feitos a deixou mais exposta, mas Jessica não abaixou a cabeça, ela decidiu mostrar isso de forma brilhante em seu livro que é genialmente bem escrito com momentos sarcásticos e de tirar o fôlego. E-mails e comentários enviados para ela de pessoas machistas foram colocados durante o livro para que nós conseguíssemos entender um pouco mais sobre o que ela passa, mas acredito que não é para nós sentirmos uma empatia por Jessica, mas sim para percebemos o nível que alguém pode chegar e o motivo dela ter feito outro livro. É nojento ler, dar raiva e me deixou extremamente irritada com essas pessoas que eu nem conheço.

Comentários sobre seu aborto, sobre suas escolhas, sobre sua vida atual e a do passado principalmente, simplesmente por ter sido usuária de drogas e ter feito outras coisas que só a interessa. O feminismo está aí, a exposição de Jessica foi feita para que a gente entendesse um pouquinho sobre o feminismo e como as pessoas (até aquelas que se consideram "para frente") podem ser problemáticas, é o famoso "não sou homofóbico, mas não quero que meu filho seja gay".

Não sei em qual momento virei feminista, até porque acredito que quando você é mulher, ser feminista é algo que vem junto com você. Se você é mulher, você tem uma parte feminista, mesmo que não saiba disso. Ser parte de uma minoria o coloca em uma posição difícil e lutar por isso pode ser horrivelmente desesperador de tão complicado que é. 

Todos os dias, quando saio de casa, é aquele mesmo assunto que infelizmente é real: Eu tenho medo de sair na rua. Medo de pegar o ônibus e um cara sentar do meu lado. Medo do assovio se tornar algo a mais. E é extremamente bom ler o livro de Jessica, apesar de ser triste saber que ela lá em New York sofre o mesmo que eu aqui. Nós temos algo em comum e me deixa mal saber que o que nos une é uma luta por igualdade que deveria ser um direito adquirido há muito anos.



Segundo o Google, objetificação sexual "se refere ao ato de tratar uma pessoa como mero instrumento de prazer sexual, fazendo dela um "objeto sexual". A objetificação, em um sentido mais abrangente, significa tratar uma pessoa como uma mercadoria ou objeto, não dando importância à sua personalidade ou dignidade."

Eu poderia/gostaria de falar muito mais, porém, já está programada uma postagem só sobre o assunto aqui no blog e sei que Jessica é essencial para terminar essa postagem. 

"O feminismo que é popular hoje em dia baseia-se, em grande parte, no uso do otimismo e do humor para desfazer o dano que o machismo tem causado. Rimos com Amy Schumer, ouvimos Beyoncé nos dizer que as garotas comandam o mundo ou Sheryl Sandberg nos aconselha a "fazer acontecer". Apesar do mito já desgastado de que as feministas são obcecadas por vitimização, o feminismo hoje representa a força incontrolável da influência e independência femininas. Do otimismo e da possibilidade. Até mesmo nossas histórias tristes, e há muitas delas, têm sua lição de moral ou lado bom, que nos permitem recobrar o ânimo, seguir em frente, continuar trabalhando."

Nota: 4/5 ♥ 
*Livro cedido em parceria com o Grupo Editorial Pensamento* 

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Um beijo e paz no coraçãozinho de vocês! ✩

 

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